O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criou um comitê para investigar Lisa Cook, diretora do Federal Reserve (Fed), o banco central americano. A medida foi anunciada em um comunicado publicado no site da Casa Branca nesta sexta-feira (9), em um memorando datado de 7 de outubro.
O grupo deverá examinar as acusações contra Cook e informar ao presidente se existe “justa causa” para sua destituição. O documento também prevê uma audiência presencial na Casa Branca, com duração máxima de quatro horas, para avaliar as provas e as acusações.
Cook afirmou que as alegações são um pretexto para que Trump a retire do cargo por divergências em relação à condução da política monetária. Ela foi nomeada para a diretoria do Fed em 2022 pelo então presidente Joe Biden, do Partido Democrata, e reconduzida em 2023. Seu mandato vai até 2038.
Disputa judicial
Em junho deste ano, a Suprema Corte dos Estados Unidos bloqueou temporariamente a demissão. Por 5 votos a 4, os ministros entenderam que Trump não havia garantido à diretora as condições previstas em lei para contestar as acusações. A Corte não decidiu se as alegações eram verdadeiras e determinou que Cook tivesse a oportunidade de se defender, devolvendo o caso às instâncias inferiores da Justiça.
Em agosto, a Casa Branca voltou a tratar do possível afastamento e enviou uma carta a Cook. O documento informou que Trump considerava demiti-la e deu à diretora três semanas para responder às acusações.
O advogado de Cook, Abbe D. Lowell, classificou as alegações como “sem fundamento” e afirmou que não havia causa válida para a demissão.
Cook é a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira na diretoria do Fed. Desde a criação do banco central americano, em 1913, nenhum presidente havia tentado retirar um governador da instituição.



