CEILÂNDIA — No primeiro ato da campanha de segundo turno, realizado nesta sexta-feira (9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Brasil não será governado pelo fascismo, por responsáveis por mortes na pandemia ou pelo que chamou de sócio do Banco Master. O discurso ocorreu em Ceilândia, no Distrito Federal.
Embora não tenha citado Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nominalmente, Lula fez referência à relação do senador com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master. Áudios mostram Flávio pedindo dinheiro a Vorcaro para produzir um filme sobre Jair Bolsonaro (PL). O senador afirma que os recursos eram privados. A Polícia Federal investiga se o dinheiro financiou a atuação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos contra autoridades brasileiras.
"Esse país não voltará a ser governado pelo fascismo, não voltará a ser governado por aqueles assassinos de milhares de pessoas na Covid-19", declarou Lula. Em seguida, também mencionou os parentes de Vorcaro e o Banco Master.
O presidente tenta reverter o resultado do primeiro turno. Realizado no domingo (4), o pleito terminou com Lula em segundo lugar, com 45,2% dos votos válidos, contra 47% do adversário. Desde a redemocratização, nenhum candidato que terminou essa etapa na segunda colocação conseguiu vencer o segundo turno.
A votação decisiva ocorrerá em 25 de outubro. Depois do primeiro turno, a campanha petista se reuniu para reorganizar a estratégia, que deverá priorizar maior presença nas redes sociais e um discurso mais duro sobre segurança pública e sobre a crise envolvendo o Banco Master e o Supremo Tribunal Federal (STF).
No evento, Lula também pediu votos para Leandro Grass (PT), candidato ao governo do Distrito Federal e ex-presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Grass teve 34,47% dos votos válidos e enfrentará a atual governadora, Celina Leão (PP), no segundo turno.
Lula citou ainda a crise do Banco de Brasília (BRB) e afirmou que o país não pode ser governado por pessoas que "roubaram R$ 12 bilhões do BRB". Celina era vice de Ibaneis Rocha (MDB) quando o banco tentou comprar o Master. Investigações apontam que o BRB comprou R$ 12,2 bilhões em créditos falsificados do banco de Vorcaro. O prejuízo ainda não foi divulgado.
Pesquisa Datafolha divulgada na quinta (8) indicou Celina com 55% das intenções de voto, ante 37% de Grass. A governadora afirma que não participou da operação. Diálogos mostram Vorcaro dizendo que ela não ficou fora da negociação e que se tratava de um "jogo para se preservar na política".



