PARIS — A LVMH, maior grupo de luxo do mundo, registrou vendas abaixo das expectativas no terceiro trimestre, pressionada pela piora da confiança do consumidor chinês. A demanda por suas principais marcas, Louis Vuitton e Dior, foi afetada.
As vendas orgânicas, que desconsideram as variações cambiais, cresceram 1% na comparação anual e chegaram a € 18,5 bilhões (US$ 20,7 bilhões). O resultado ficou abaixo da projeção de crescimento de 1,3% calculada pelo consenso da Visible Alpha.
A divisão de moda e artigos de couro, responsável por quase metade da receita do grupo, teve queda de 5% nas vendas orgânicas. A expectativa dos analistas era de recuo de 1,8%.
China pesa sobre o desempenho
As vendas na Ásia, região dominada pela China, caíram 5% em relação ao ano anterior. Nos Estados Unidos, houve crescimento de 5%.
A diretora financeira da LVMH, Cecile Cabanis, afirmou que a Ásia foi afetada pela deterioração da confiança do consumidor chinês, associada a fatores macroeconômicos e com efeito sobre os gastos discricionários. Ela também disse que o bem-estar dos consumidores chineses foi prejudicado pela repressão fiscal sobre pessoas ricas.
Os consumidores chineses respondem por cerca de um quinto das compras globais de artigos de luxo. A procura do país, que durante anos impulsionou a expansão do setor, caiu de forma acentuada desde o início da pandemia.
O crescimento da divisão de relógios e joias, que reúne marcas como Bulgari e Tiffany, também desacelerou: passou de 9% no primeiro semestre do ano para 6%.
Pressão sobre o setor de luxo
A indústria global de luxo, avaliada em US$ 350 bilhões (R$ 1,7 trilhão), atravessa uma desaceleração de três anos. Os principais grupos europeus do segmento perderam cerca de € 330 bilhões (R$ 1,8 trilhão) em valor de mercado desde o início do ano. A queda da LVMH foi de aproximadamente 40%, e as ações da companhia negociadas nos Estados Unidos recuaram mais de 3% após a divulgação dos dados.
Analistas do Bank of America disseram que os resultados poderiam manter a pressão sobre todo o setor. Piral Dadhania, analista da RBC (Royal Bank of Canada), projetou uma pressão moderada sobre as ações da LVMH e de suas concorrentes.
A Louis Vuitton, principal marca da divisão de moda e artigos de couro, também enfrenta reação negativa na China após uma disputa de direitos autorais com a rede de lojas de chá Molly Tea. A empresa recusou-se a comentar se a marca poderá substituir seus diretores criativos, como fez a Dior. Cabanis disse que a Vuitton precisa ampliar os esforços e equilibrar inovação e tradição, mas descartou medidas drásticas, como cortes de preços.
Hermès e Kering, dona da Gucci, devem divulgar os resultados de vendas do terceiro trimestre na próxima semana.



