REDMOND (EUA) — Asha Sharma, CEO do Xbox, tenta recuperar a divisão de videogames da Microsoft em meio à queda nas vendas de consoles, ao aumento dos custos de produção e a demissões. Aos 38 anos, ela assumiu o comando em fevereiro, sem experiência anterior no setor de jogos, e transformou os primeiros 100 dias em uma campanha para conquistar apoio dentro e fora da empresa.
Em julho, Sharma reconheceu em uma carta aos funcionários que o negócio atravessava dificuldades. "Nosso negócio hoje não está saudável", escreveu. Desde então, reduziu o preço da versão mais cara do Game Pass, restringiu a presença de mascotes dos consoles em plataformas concorrentes e cancelou uma integração considerada inadequada de inteligência artificial.
A estratégia ajudou a reduzir manifestações misóginas e racistas contra Sharma, filha de indianos que imigraram da Nova Zelândia para Wisconsin. Influenciadores passaram a tratar o Xbox, uma divisão avaliada em US$ 23 bilhões, como um azarão. O apoio resistiu a um período em que 20% dos funcionários perderam o emprego e cinco estúdios foram fechados. No fim de setembro, quase 270 funcionários foram demitidos, em uma medida que desmantelou a equipe responsável por Halo.
Pressão sobre o negócio
Microsoft, Sony e Nintendo enfrentam custos maiores para produzir consoles, enquanto empresas de inteligência artificial aumentam a demanda por chips de memória e processamento. Jogos gratuitos para celulares também disputam a atenção do público, e os custos de desenvolvimento dificultam a rentabilidade até dos títulos mais vendidos.
O Xbox responde por cerca de 6% dos lucros totais da Microsoft, que concentra cada vez mais suas atividades em infraestrutura de dados e inteligência artificial. A divisão vendeu menos consoles nesta geração do que Nintendo e Sony, enquanto franquias como Halo e Gears of War perderam relevância cultural.
A Microsoft comprou a Mojang, responsável por Minecraft, por US$ 2,5 bilhões (R$ 13,06 bilhões) em 2014. Quase uma década depois, adquiriu a Activision Blizzard por US$ 75,4 bilhões (R$ 393,95 bilhões), incorporando jogos como Call of Duty, World of Warcraft e Candy Crush.
O Game Pass chegou a 34 milhões de assinantes, mas o número começou a cair. A Microsoft também deixou de incluir novos títulos de Call of Duty no catálogo por receio de que o serviço reduzisse as vendas dos jogos.
Expansão e futuro do Xbox
Sharma quer levar os produtos do Xbox a 1 bilhão de pessoas, ampliando a atuação na África, na América Latina e no sul da Ásia. A estratégia prevê o uso de computação em nuvem para rodar jogos em computadores e smartphones. A executiva também pretende voltar a investir em Minecraft para disputar espaço com Roblox.
O futuro dos consoles é desenvolvido sob o codinome Project Helix. Executivos da empresa não detalharam o aparelho, mas indicaram que ele poderá usar pesquisas em inteligência artificial para aproximar jogadores e desenvolvedores.
A possibilidade de uma separação da Microsoft é discutida por analistas, mas Sharma afirmou que o Xbox não está à venda. "Faremos o que for necessário para preparar a empresa para o sucesso", disse. Satya Nadella, CEO da Microsoft, declarou que espera que a divisão volte a crescer no próximo ano fiscal.



