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Painéis solares mais baratos aceleram geração descentralizada e pressionam redes elétricas

Queda dos preços amplia o uso da energia solar, mas especialistas alertam para desafios de operação, investimentos e distribuição.

Painéis solares mais baratos aceleram geração descentralizada e pressionam redes elétricas
Foto: Rubens Cavallari/Folhapress

A queda no preço dos painéis solares vem ampliando a geração própria de eletricidade em países desenvolvidos e em desenvolvimento. No fim de 2025, a capacidade solar instalada no mundo chegou a quase 1,2 TW, segundo o Energy Institute. O volume equivale a cerca do triplo da capacidade da frota mundial de usinas nucleares, embora os painéis produzam apenas parte de seu potencial teórico por dependerem da luz do sol.

No Paquistão, a fabricante de cimento Bestway Cement planeja instalar mais 6,34 MW em Chakwal até o fim do ano. A empresa já possui 26 MW de células fotovoltaicas, e a energia solar representa mais de um quarto da eletricidade usada pela fábrica. A unidade produz mais de 3 milhões de toneladas de cimento por ano.

A expansão foi impulsionada por equipamentos fabricados na China. Painéis que custavam de US$ 5 (R$ 25,75) a US$ 6 (R$ 30,9) por watt na virada do milênio são vendidos atualmente por cerca de US$ 0,12 (R$ 0,62) por watt. Dave Jones, cofundador do centro de estudos Ember, classificou o preço como “barato até demais”.

Produção chinesa e expansão global

A capacidade de fabricação de painéis na China chegou a aproximadamente 1,36 terawatts, de acordo com a consultoria Wood Mackenzie. A redução de custos ajudou a energia solar a avançar em locais onde a eletricidade é escassa, cara ou pouco confiável.

O movimento começou em países como Paquistão, Brasil e África do Sul e alcançou outras áreas da África e as Filipinas. O Ember estima, com base em dados alfandegários, que o continente africano instalará cerca de 17 gigawatts de capacidade solar nova neste ano, principalmente em projetos pequenos de fábricas e outros negócios.

A geração descentralizada também permite que famílias e empresas produzam parte da própria eletricidade, reduzindo a dependência de grandes estruturas e, em alguns casos, as contas de energia. Ao mesmo tempo, o crescimento dificulta a operação de redes que não foram projetadas para receber geração própria em larga escala.

Pressão sobre as redes

A expansão pode afetar investimentos, modelos de preços e a segurança do abastecimento. As empresas do setor precisam adaptar as redes para permitir o fluxo de energia nos dois sentidos, enquanto a geração doméstica reduz parte das vendas feitas pelas distribuidoras.

O Reino Unido e alguns estados americanos aprovaram a venda de painéis “plug and play”, conectados diretamente à rede doméstica. Especialistas avaliam que esses equipamentos podem aumentar a dificuldade de prever e administrar a demanda total por eletricidade.

O professor Janusz Bialek, do Colégio Imperial de Londres, afirmou que a energia solar e outras fontes renováveis não causaram diretamente o apagão que atingiu grande parte da Espanha e de Portugal no ano passado. Para ele, porém, o sistema espanhol não se adaptou o suficiente ao crescimento dessas fontes.

Josefin Berg, gerente de pesquisa de energia solar e armazenamento da S&P Global, disse que a mudança leva o setor de um modelo centralizado para outro em que qualquer pessoa pode produzir eletricidade. Ela questiona como serão pagos os custos das redes se a geração solar e as baterias reduzirem cada vez mais as vendas das distribuidoras.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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