BRASÍLIA — A Polícia Federal marcou para a próxima semana os depoimentos de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que ocupou o cargo entre 2019 e 2024, e André Esteves, dono do BTG Pactual. Os três serão ouvidos como testemunhas no inquérito que apura a fiscalização do Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Esteves deve depor na segunda-feira (5), Galípolo na terça (6) e Campos Neto na quarta (7). As defesas ainda podem solicitar o adiamento das oitivas. Ailton de Aquino, atual diretor de Fiscalização do Banco Central, também foi convocado e deve prestar depoimento na quinta-feira.
Os depoimentos foram definidos depois de os quatro serem intimados em agosto. A assessoria de Campos Neto informou que ele não vai se manifestar, enquanto a do BTG Pactual ainda não havia se pronunciado. Galípolo afirmou na semana passada que estava “sempre à disposição para todas as instituições”.
Investigação sobre ex-servidores
A apuração envolve Belline Santana, ex-chefe de Supervisão Bancária, e Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização. De acordo com o inquérito, os dois teriam atuado em favor dos interesses de Vorcaro dentro do Banco Central e repassado informações sobre a fiscalização do Banco Master. As defesas negam favorecimento ao ex-banqueiro.
Em depoimento, Paulo Sérgio Neves afirmou que o BTG Pactual teria identificado uma fraude de R$ 32 bilhões no Master após concluir uma due diligence em novembro de 2024. Segundo o relato, Campos Neto participou de uma reunião sobre o tema em 3 de dezembro de 2024, quando o banco não teria apresentado documentos.
Mensagens de Vorcaro indicam ainda que o Banco Central teria pedido uma reunião com Esteves em abril do ano passado para ouvir uma proposta. O BTG negou interesse na compra do Master e afirmou que fez apenas “compras pontuais de ativos não problemáticos em momentos de falta de liquidez”.
Aquino também relatou à PF que o BTG pediu ao Banco Central, em outubro de 2025, uma carta de conforto para comprar ativos do Master. O Banco Central decretou a liquidação do banco em 18 de novembro de 2025.



