Os rendimentos dos títulos públicos subiram nos Estados Unidos, no Reino Unido, na França e no Japão, em meio à pressão do petróleo sobre a inflação e as finanças públicas. O movimento elevou os juros dos Treasuries de 10 anos ao maior nível desde 2002 e ampliou a volatilidade nos mercados globais.
Na quinta-feira (1°), o rendimento dos títulos americanos de 10 anos avançou 0,04 ponto percentual, para 5,34%. Esse foi o maior nível desde 2002. O mercado de títulos do governo dos EUA, avaliado em US$ 32 trilhões (R$ 165,55 trilhões), passou a ser descrito por operadores como sujeito a um ciclo de vendas, com investidores reduzindo posições de longo prazo.
No Reino Unido, o rendimento dos títulos de 30 anos superou 6% pela primeira vez desde 1998. Na França, o juro dos títulos de 10 anos aumentou 0,11 ponto percentual, para 4,95%, maior patamar em 25 anos. O país se prepara para semanas de disputas relacionadas ao Orçamento, enquanto o Reino Unido também enfrenta redução de sua margem de manobra fiscal.
O petróleo Brent subiu 2,6% e voltou a superar US$ 100 por barril. A alta reforçou as preocupações com a inflação. Há meses, os mercados de títulos são afetados pelo receio de que o choque energético no Oriente Médio mantenha os preços elevados. A relação entre petróleo e Treasuries atingiu o ponto mais estreito desde 1990.
Pressão sobre crédito e Ásia
A instabilidade também alcançou o Japão. O rendimento dos títulos japoneses subiu 0,04 ponto percentual, para 3,1%, perto da máxima em várias décadas. A pressão refletiu o movimento dos títulos americanos e a incerteza sobre o aperto dos juros pelo Banco do Japão, segundo Mitul Kotecha, do Barclays.
Os spreads de crédito aumentaram nos últimos dias, diante do temor de contágio da volatilidade dos títulos públicos para o mercado que define o custo de financiamento das empresas. O juro adicional pago por companhias europeias com grau de investimento em relação aos títulos públicos chegou a quase 0,9 ponto percentual nesta semana, maior nível desde abril, conforme dados da Ice BofA.
Dados de inflação divulgados na quarta-feira (30) na Alemanha, na França e na Itália mostraram pressões acima das expectativas dos analistas. Nos Estados Unidos, porém, dados indicaram queda na medida de inflação preferida do Federal Reserve. O índice Ice BofA Move, que acompanha a volatilidade implícita dos Treasuries, aproximou-se do pico registrado nas primeiras semanas do conflito.



