SÃO PAULO — A TecBan, responsável pela rede Banco24Horas, prepara novas frentes de negócio diante da expectativa de queda no uso de dinheiro físico. A empresa quer ampliar a gestão da infraestrutura de bancos, lançar espaços de atendimento multimarcas e explorar dados sobre pessoas que usam cédulas no país.
A rede de caixas eletrônicos ainda representa 80% da receita da companhia, mas essa participação era de 95% há pouco mais de dois anos. A meta é que, em quatro anos, 40% da receita venha de atividades que não envolvam o Banco24Horas. A empresa afirma que chegará ao fim do ano com 20% da receita originada desses novos negócios.
Espaços multimarcas e gestão de caixas
O principal projeto em preparação é o Espaço Banco24Horas, uma estrutura de atendimento multibanco. O projeto-piloto começou em setembro, e a intenção é reunir em um único local a gestão operacional de diferentes bancos. Os pontos devem funcionar durante todo o dia, com um funcionário disponível, e oferecer saques e outros serviços.
Patricio Santelices, CEO da TecBan, afirmou que a empresa pretende manter o atendimento presencial e que já está presente em mais de 2.000 municípios. Os serviços poderão ser usados por clientes dos 150 bancos e instituições de pagamento conectados à rede.
A empresa também busca assumir a gestão de caixas eletrônicos de outras instituições. O Banrisul foi o primeiro banco a terceirizar integralmente a rede instalada no interior de suas agências. Outros cinco bancos adotaram o modelo, segundo Santelices. Nesses casos, entre 25% e 30% das transações realizadas nas agências são feitas por clientes de outras instituições.
Há três anos, o país tinha 120 mil terminais de autoatendimento. Hoje, são 100 mil, sendo 30 mil da TecBan e 70 mil de outras empresas. A previsão é de que o total chegue a 70 mil daqui a cinco anos. Para Santelices, a gestão compartilhada pode gerar uma economia de quase R$ 1 bilhão para o sistema.
Dinheiro físico e dados
Mesmo com a expansão do Pix, cerca de 6% das transações do país ainda são realizadas em dinheiro. A expectativa da empresa é que essa parcela se estabilize em torno de 2% em cinco anos. O uso de papel-moeda permanece mais forte longe dos grandes centros e em cidades menos digitalizadas, onde os benefícios do governo têm peso relevante.
A TecBan também pretende transformar em serviço os dados de mais de 30 milhões de pessoas que usam dinheiro todos os meses. Com modelos de inteligência artificial, a companhia quer analisar padrões de saques e de consumo para oferecer informações a empresas e governos.
Santelices disse que os caixas eletrônicos também fazem pagamentos, depósitos, recargas de celular e prova de vida. A rede Banco24Horas tem mais de 35 mil equipamentos e atende mais de 150 instituições financeiras conectadas.
A empresa foi criada em 1982 por Unibanco, hoje Itaú, e pelos bancos Nacional e Bamerindus. Atualmente, seus acionistas são Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. A TecBan tem sede em São Paulo, atua em todo o país, registrou receita líquida de R$ 2,91 bilhões em 2025 e lucro líquido de R$ 38,2 milhões no mesmo ano.
Para Santelices, o dinheiro não deixará de existir. “Não vai acabar nunca”, afirmou.



