O Tesouro Nacional vendeu R$ 33,28 bilhões em títulos públicos prefixados nesta quinta-feira (8), no maior volume de uma primeira rodada de leilão desde dezembro de 2020. A operação ocorreu após a queda dos juros futuros na segunda-feira (5), em reação ao resultado do primeiro turno das eleições.
Foram emitidos R$ 27,86 bilhões em Letras do Tesouro Nacional (LTN) e R$ 5,43 bilhões em Notas do Tesouro Nacional série F (NTN-F), com vencimentos entre 2028 e 2037. Mais da metade do total ficou concentrada na LTN com vencimento em janeiro de 2028.
As LTN, também chamadas de Tesouro Prefixado, têm uma taxa definida no momento da compra e não pagam juros ao longo do prazo. As NTN-F, conhecidas como Tesouro Prefixado com Juros Semestrais, também têm remuneração prefixada, mas fazem pagamentos ao investidor a cada seis meses.
Efeito da queda dos juros
Os juros futuros para 2029 e 2031 recuaram mais de 1 ponto percentual em uma única sessão na segunda-feira. No Tesouro Direto, a taxa de compra do Prefixado 2029 caiu de cerca de 13,9% ao ano no fim de setembro para 12,55% na quarta-feira (7).
A queda ocorreu depois de Flávio Bolsonaro (PL) ficar à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno. A expectativa de uma política fiscal mais austera em um eventual governo de Flávio reduziu o prêmio de risco embutido nos juros.
Quando as taxas de mercado recuam, o governo consegue emitir novos títulos prefixados com custos menores, porque os investidores aceitam receber uma remuneração mais baixa para emprestar dinheiro ao Tesouro. Mario Machado, assessor de investimentos da InvestSmart/XP, afirmou que essa foi a janela aproveitada pelo governo.
Para Eduardo Gonçalves, gestor de portfólio da Aurum Wealth Management, o tamanho do leilão mostra que houve demanda para absorver uma oferta elevada sem pressionar as taxas. Já Gustavo Danilo, analista de renda fixa da Manchester Investimentos, avaliou que a concentração em títulos de prazo mais curto indica uma relação maior com reforço de caixa e administração de vencimentos próximos do que com uma mudança estrutural no perfil da dívida.
A emissão de prefixados também permite ao governo substituir parte dos títulos cuja remuneração acompanha a Selic por papéis com custo definido até o vencimento, aumentando a previsibilidade das despesas com juros.
A queda das taxas favorece investidores que já possuem prefixados, porque o preço desses títulos tende a subir com a marcação a mercado. Para quem mantém o papel até o vencimento, a taxa contratada é preservada, mas o resultado depende da inflação. Matheus Jaconeli, analista da ZIIN Investimentos, DTVM da Unicred, afirmou que o prefixado não protege contra a inflação e que uma alta consistente dos preços acima das expectativas pode reduzir o ganho real.



