PARIS — O presidente-executivo da Volkswagen, Oliver Blume, pediu que os formuladores de políticas europeus criem condições para o sucesso da reestruturação da montadora alemã. A empresa tenta reduzir sua complexidade e atualizar a oferta de veículos elétricos enquanto fabricantes chineses avançam no mercado europeu.
Em um evento realizado na véspera do Salão do Automóvel de Paris, Blume descreveu a reorganização como o maior programa de transformação da história da Volkswagen. O plano envolve marcas de diferentes segmentos, da Volkswagen às fabricantes de luxo Porsche e Lamborghini.
Para o executivo, a competitividade depende de uma ação conjunta entre empresas e governos. “Essa é uma responsabilidade compartilhada”, afirmou. Segundo Blume, as companhias precisam se tornar mais competitivas, enquanto os formuladores de políticas devem criar condições adequadas.
A Volkswagen apoiou propostas de regras de “Fabricado na Europa” para estimular a produção local. O executivo também elogiou um acordo entre a União Europeia e a China que pode reduzir em mais da metade as importações chinesas de veículos híbridos plug-in pelo bloco.
“Quem vende aqui deve competir em condições semelhantes e também gerar empregos e valor aqui na Europa”, disse Blume. O evento contou com a presença do ministro da Indústria da França, Sebastien Martin.
A montadora enfrenta dificuldades para implementar cortes de empregos e ameaça fechar até quatro fábricas na Alemanha. Ao mesmo tempo, investidores pressionam Blume a demonstrar que a recuperação inclui avanços em produtos e softwares, além da redução de custos.
Novos veículos elétricos
Uma linha de veículos elétricos acessíveis das marcas de maior volume da Volkswagen será apresentada no salão. A gama inclui modelos das marcas VW, Cupra e Skoda. A empresa também fará a estreia do SUV elétrico ID. Tiguan.
A Volkswagen mantém participação de mercado estável de aproximadamente um quarto na Europa ao longo da última década e continua líder em vendas no continente. Fabricantes chinesas como BYD e Leapmotor, porém, vêm conquistando espaço.
A retração do mercado automobilístico doméstico chinês aumenta a pressão para que as empresas exportem, afirmou Gregor Williams, analista do Rhodium Group. Para ele, a possibilidade de a guerra de preços chinesa chegar à Europa pode reduzir a rentabilidade do mercado europeu.



