A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) passou a reagir ao crescimento da mobilização digital em favor da reeleição do presidente Lula (PT), especialmente no WhatsApp. Aliados do candidato lançaram contraofensivas para disputar a circulação de mensagens e responder a conteúdos que consideram falsos ou descontextualizados.
Desde o primeiro turno, apoiadores de Lula reforçam ações para divulgar informações sobre o adversário, estimular a participação no segundo turno e alcançar eleitores indecisos ou que haviam votado em candidatos derrotados. Uma das iniciativas é o canal “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). O grupo passou de 50 mil seguidores para 3 milhões desde o primeiro turno.
A campanha de Flávio avalia que o WhatsApp oferece mais dificuldade de monitoramento do que redes como Instagram e X. Nesses ambientes, os conteúdos podem ser identificados e respondidos com maior rapidez. No aplicativo de mensagens, integrantes da campanha dizem ser mais difícil saber quais materiais circulam e qual é o alcance deles.
Reação da campanha
Em uma transmissão ao vivo pelas redes sociais, Flávio afirmou que era alvo de montagens e informações falsas. Ele também convocou apoiadores a entrar no grupo “Tropa do Flávio”. Gustavo Gayer (PL-GO), deputado federal e senador eleito, chamou a iniciativa de Janones de “milícia digital”, acusou o PT de espalhar fake news e defendeu uma resposta do bolsonarismo.
A estratégia digital foi discutida em uma reunião do PL com governadores e parlamentares eleitos. O marqueteiro Duda Lima e o coordenador político da campanha, Rogério Marinho (PL-RN), disseram que havia uma “fábrica de fake news”.
A campanha de Flávio também decidiu lançar um site com propostas para temas em debate na internet, incluindo Farmácia Popular, Pé-de-Meia e Bolsa Família. Além disso, a equipe jurídica acionou o TSE, afirmando que o candidato era alvo de 16 grupos organizados para divulgar conteúdo falso e descontextualizado.
O ministro André Mendonça determinou a remoção de publicações de Janones e do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) sobre supostos planos de Flávio para aumentar a idade mínima de aposentadoria, ampliar a jornada de trabalho e adotar a escala “7x0”. Mendonça e o ministro Kassio Nunes Marques também ordenaram a retirada de publicações de Lula e da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.
Disputa sobre o ajuste fiscal
A mobilização petista também explora a falta de detalhamento sobre medidas fiscais associadas a Flávio. A equipe econômica do candidato estuda um pacote com corte de 2% do PIB, equivalente a cerca de R$ 250 bilhões. Ao mesmo tempo, Flávio afirma que não fará economia sobre os mais pobres e os aposentados.
A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, questionou onde o ajuste seria aplicado e quais efeitos teria sobre os serviços públicos. “Anunciar o tamanho da tesoura é fácil. O que precisa ser explicado é onde a tesoura vai passar”, disse.
Integrantes da campanha de Lula tentam ampliar o confronto nas redes sociais para questionar as sinalizações de Flávio sobre a política fiscal. Do outro lado, a deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) afirmou que acionaria a Justiça contra o deputado federal reeleito Nikolas Ferreira (PT-MG), a quem acusou de divulgar uma informação falsa sobre o fechamento de igrejas.



