BRASÍLIA — A disputa digital entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ganhou novas iniciativas na primeira semana do segundo turno. Lula passou a gravar vídeos em formato de selfie e reuniu influenciadores e jovens políticos eleitos. Aliados de Flávio organizam respostas às publicações do petista e convocam apoiadores para ampliar a circulação de conteúdos favoráveis ao candidato.
As duas candidaturas também têm canais de WhatsApp voltados à distribuição de conteúdos e à organização de ações de compartilhamento. O “Exército do Lula” e a “Tropa do Flávio” são mobilizados por apoiadores, mas integrantes das equipes dos dois presidenciáveis afirmam que os canais não fazem parte das campanhas oficiais.
Grupo de Lula reúne influenciadores e parlamentares
A campanha petista montou uma sala em sua sede, em Brasília, para receber uma força-tarefa digital formada por influenciadores e jovens políticos eleitos. O grupo se reuniu com Lula na quarta-feira (7) e deveria permanecer na capital federal pelo menos até esta sexta-feira (9).
Jilmar Tatto, secretário nacional de Comunicação do PT, disse que a campanha mudou o foco após o resultado do primeiro turno. “Virou a chave da campanha, passamos do analógico para o digital”, afirmou.
A deputada eleita Ana Elisa (PT-MG) defendeu uma presença mais intensa da esquerda nas plataformas digitais. Luna Zarattini (PT-SP) afirmou que o encontro iniciou uma atuação coordenada nas redes, também voltada aos eleitores que não votaram no primeiro turno.
Jones Manoel (PSOL-PE) disse que parlamentares de esquerda discutiram formas de ampliar o apoio a Lula entre pessoas de baixa renda, mulheres e jovens. Entre os temas mencionados estão tarifa zero no transporte público, redução do custo de vida e geração de empregos.
Erika Hilton (PSOL-SP), eleita com mais de 1,5 milhão de votos, mobiliza seus mais de 5,4 milhões de seguidores no Instagram para integrar grupos e comunidades digitais ligados à campanha de Lula. André Janones (Rede-MG), deputado federal reeleito, comanda o canal “Exército do Lula”, criado em abril para orientar apoiadores, estabelecer metas de compartilhamento e ampliar a circulação de conteúdos.
Aliados de Flávio organizam respostas
O PL criou o canal “Tropa do Flávio” em resposta à iniciativa ligada a Lula. O senador eleito Gustavo Gayer (PL-GO) divulgou o canal e convocou apoiadores a participar. Ele acusou o PT e Lula de criar uma estrutura digital para espalhar informações falsas sobre Flávio Bolsonaro.
“É aqui que nós vamos contrapor esse pessoal”, afirmou Gayer. Ele também pediu que os apoiadores ampliassem o canal e mantivessem a mobilização.
Na quinta-feira (8), Nikolas Ferreira (PL), eleito com mais de 3 milhões votos e com mais de 22 milhões de seguidores no Instagram, publicou um vídeo contestando declarações de Lula. Flávio Bolsonaro também criticou a mobilização petista e pediu que apoiadores participassem de sua comunidade no WhatsApp.
Pablo Marçal, que apoia Flávio desde setembro, divulgou o canal. Ele tentou disputar a Presidência pelo PRTB, mas teve a candidatura barrada pelo TSE.
Guilherme Derrite (PP) afirmou que prepara um vídeo para rebater o lema petista “Para o povo trabalhador, proteção; para o bandido, prisão” e questionar o histórico dos governos do PT na segurança pública.
A campanha de Flávio também monitora informações falsas sobre o candidato, incluindo alegações sobre Nossa Senhora Aparecida e um vídeo com áudio manipulado por inteligência artificial no qual ele supostamente afirma que cortaria o 13º salário e as aposentadorias.



