São Paulo, Segunda-feira, 12 de outubro de 2026
Dólar R$ 4,99 · Euro R$ 5,58 · Ibovespa 209.067 -0,00%
A economia explicada todos os dias
Política

Perfis bolsonaristas expõem eleitores de Lula em quatro países

Brasileiros foram alvo de divulgação de dados pessoais, tentativas de localização e ameaças de denúncia e deportação após o primeiro turno.

Perfis bolsonaristas expõem eleitores de Lula em quatro países
Foto: Bruno Santos/Folhapress

Perfis de apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) mobilizaram usuários no Brasil e no exterior para identificar e denunciar brasileiros que demonstraram apoio ou teriam votado em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em outros países. As ações ocorreram durante e depois do primeiro turno das eleições brasileiras, realizado em 4 de outubro.

Brasileiros na Coreia do Sul, no Japão, na Bélgica e na Polônia foram alvo de divulgação de dados pessoais, tentativas de localização de residências e locais de trabalho e ameaças relacionadas a denúncias e deportação. Não há evidências de que a campanha de Flávio Bolsonaro tenha coordenado os ataques.

Campanha nas redes sociais

No dia da votação, um usuário do X lançou a iniciativa “De volta para minha terra”, que convocava brasileiros no exterior a denunciar compatriotas identificados como eleitores de Lula. A conta é associada à “Bolha da Resenha”, rede de perfis geralmente anônimos ligada a ataques virtuais, misoginia e divulgação de conteúdo falso e extremista.

A campanha recebeu apoio de outros usuários. Uma das publicações defendia a localização da casa e do trabalho de eleitores do PT para que empregadores, vizinhos e autoridades fossem avisados. Na Coreia do Sul, um perfil divulgou informações que permitiam identificar uma brasileira e publicou a imagem de um aparente documento pessoal.

No Japão, uma conta afirmou ter levado denúncias contra eleitores de Lula ao Comitê Nacional de Segurança Pública e mencionou a possibilidade de acionar autoridades migratórias para tentar impedir a permanência deles no país. Na Bélgica, uma publicação sobre uma brasileira apoiadora do presidente foi encaminhada ao responsável pela campanha, ampliando a circulação da busca.

Caso na Polônia

O episódio de maior repercussão envolveu duas brasileiras na Polônia. Fotografias em que elas apareciam manifestando apoio a Lula circularam com mensagens em inglês que as associavam ao comunismo. O material foi reproduzido por perfis como o do influenciador Mario Nawfal.

O eurodeputado Dominik Tarczyński, aliado da família Bolsonaro, pediu ajuda para identificar as mulheres e defendeu a deportação delas. Em uma publicação no Instagram, escreveu: “Vou cuidar delas. Sejam como a Polônia”. Em outra postagem, afirmou que ajudaria uma delas a fazer as malas antes da deportação e alegou que promover o comunismo no país era proibido pela Constituição.

Na manhã seguinte, Tarczyński reproduziu as fotografias no X e solicitou informações sobre as mulheres por mensagem privada. O responsável pela campanha “De volta para minha terra” participou da identificação de uma delas e divulgou dados sobre sua identidade e trajetória profissional. As duas brasileiras procuraram a embaixada do Brasil em Varsóvia, segundo o Itamaraty, que informou ter se colocado à disposição para prestar assistência consular caso fosse solicitado.

A Constituição polonesa proíbe partidos e organizações com práticas totalitárias associadas ao nazismo, fascismo e comunismo. O Código Penal também criminaliza a promoção pública de regimes totalitários. As imagens, porém, mostram as brasileiras fazendo gesto de apoio a Lula e usando símbolos do PT, sem evidências de defesa de um regime totalitário.

Relações políticas internacionais

Tarczyński já havia mantido relações públicas com a família Bolsonaro. Em setembro, posou com Eduardo Bolsonaro em Miami, chamou o ex-deputado de “meu querido amigo” e pediu votos para Flávio. Depois, reiterou o apoio ao senador e compartilhou conteúdo de Eduardo no dia da eleição.

Não há evidências de que Eduardo Bolsonaro tenha participado da identificação das mulheres ou enviado as fotografias ao político polonês. Também não há evidências de participação dele ou de Hwang Kyo-ahn na campanha de exposição dos eleitores de Lula.

Antes do primeiro turno, o usuário que lançou a iniciativa já divulgava manifestações de apoio a Flávio vindas da Coreia do Sul. Hwang Kyo-ahn, ex-primeiro-ministro sul-coreano, declarou apoio ao senador nos dias 28 e 29 de setembro. Em junho, Hwang havia participado, nos Estados Unidos, de um encontro de grupos conservadores com a presença de Eduardo Bolsonaro. O ex-primeiro-ministro relatou ter conversado com ele sobre a situação política do Brasil.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.