O próximo presidente poderá indicar quatro ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF), em um cenário influenciado pelo resultado do primeiro turno, pela ampliação da força da direita no Senado e pela pressão por impeachment de integrantes da corte.
As vagas são as de Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, além da cadeira de Luís Roberto Barroso, que continua aberta. O número pode crescer caso avance a proposta de impeachment de ministros. O PL passou a ter a maior bancada do Senado, e outros 21 congressistas de diferentes partidos defendem a medida.
Possíveis nomes em um governo Flávio
Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) poderia facilitar a aprovação de nomes alinhados ao bolsonarismo. A indicação de um ministro exige 41 votos favoráveis no Senado, enquanto o impeachment depende de 54 senadores.
Entre os nomes associados ao senador está Jorge Oliveira, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) e aliado da família Bolsonaro. Ele chegou ao tribunal em 2020, indicado por Jair Bolsonaro, e é citado como um dos principais cotados para o STF em um eventual governo de Flávio.
Também aparecem nas avaliações os ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Douglas Alencar, Morgana de Almeida Richa, Guilherme Caputo Bastos e Ives Gandra Martins Filho. Os advogados Maria Claudia Bucchianeri e Tracy Reinaldet, que atuam na campanha de Flávio, também são apontados como pessoas de confiança.
Outros nomes têm ligação com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), como Natália Resende, Inês Coimbra e Maxwell Borges de Moura Vieira. O juiz federal William Douglas, próximo de líderes evangélicos, também é lembrado. Em 2020, Flávio tentou convencer o pai a indicá-lo ao Supremo.
A desembargadora Marianna Fux, filha de Luiz Fux, e a juíza federal Maria do Carmo Cardoso, amiga de Flávio e madrinha da escolha de Kassio Nunes Marques para o STF, completam a lista de nomes mencionados. O deputado Marcos Pereira, presidente do Republicanos, também foi considerado durante as negociações políticas, mas negou que essa indicação tivesse sido discutida.
Cenário para Lula
No caso de Lula (PT), a nova composição do Senado pode reduzir a margem para indicar pessoas próximas. O advogado-geral da União, Jorge Messias, foi barrado pelos senadores antes da renovação eleitoral que ampliou a força da direita no Congresso Nacional.
O presidente passou a avaliar o governador interino do Rio, Ricardo Couto, para uma vaga. Ele assumiu o cargo por ocupar a presidência do Tribunal de Justiça do estado quando o então governador Claudio Castro (PL) renunciou. As conversas ocorreram antes do primeiro turno.
Lula também defende a criação de um conselho para auxiliar na escolha dos ministros. A proposta poderia reduzir a associação direta dos indicados com o chefe do governo e facilitar a apresentação dos nomes ao Senado.
Considerando as quatro vagas e as duas indicações já feitas por Jair Bolsonaro —André Mendonça e Kassio Nunes Marques—, o grupo político ligado à família Bolsonaro poderia alcançar maioria no STF até 2030 em um cenário de vitória de Flávio. A corte é formada por 11 ministros.



