BRASÍLIA — O presidente Lula afirmou nesta segunda-feira (5) que leva para a campanha o desgaste provocado pela crise de imagem do Supremo Tribunal Federal (STF). Em reunião com aliados em Brasília, também classificou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu adversário na eleição presidencial, como “a cara do sistema”.
“Ele [Flávio Bolsonaro] é a cara do sistema. Nós não explicarmos isso para a sociedade é um grande defeito nosso”, disse Lula. O presidente afirmou que apenas sua candidatura representa uma posição antissistema e relacionou esse discurso à crise enfrentada pelo Supremo.
O encontro reuniu integrantes da campanha e candidatos da base de Lula que foram eleitos ou derrotados. Foi a primeira atividade de campanha do petista depois de terminar o primeiro turno em segundo lugar, atrás de Flávio Bolsonaro.
Debate e reforma do Judiciário
A equipe de Lula definiu metas para tentar mudar o cenário no segundo turno. Entre as prioridades estão reduzir as abstenções e ampliar a votação no Nordeste, região onde o presidente tem maior alcance.
Lula também disse que pretende participar de debates televisionados no segundo turno. Ele não participou dos debates realizados no primeiro turno. Sua equipe argumentava que o formato, com muitos candidatos e pouco tempo para cada participante, não seria proveitoso.
“Agora é importante ter debate na televisão, porque agora é tete a tete”, afirmou. Aliados disseram que Lula deve participar do próximo debate, previsto para domingo (11).
O presidente voltou a defender uma reforma no Judiciário e afirmou que os ministros do Supremo não estão acima da lei. Para Lula, a desconfiança da sociedade em relação à Suprema Corte representa uma situação grave.
Petistas associam o desgaste político do presidente à crise provocada pelo escândalo do Banco Master no STF. Lula não é citado no caso, mas manteve proximidade com ministros do Supremo durante quase todo o atual mandato. A avaliação dentro do partido é que essa relação levou eleitores a associá-lo ao caso.
Abstenção e mobilização
Lula reconheceu que o grupo de eleitores disponível para ampliar sua votação no segundo turno é menor. Ao comparar o cenário com sua evolução entre o primeiro e o segundo turno da eleição presidencial de 1989, afirmou que havia mais público para disputar naquela época.
O presidente também fez um apelo contra a abstenção. “Tem uma coisa que nós temos que trabalhar, são 30 milhões de pessoas que não foram votar”, disse. Lula questionou se essas pessoas não foram convencidas, perderam o sentido de responsabilidade ou não gostam dos candidatos.
Durante a reunião, o presidente mencionou a sugestão de fazer mais selfies, atribuída ao governador do Piauí, Rafael Fonteles, reeleito em primeiro turno. A indicação tinha como objetivo ampliar a presença de Lula nas redes. Segundo um dos presentes, Lula brincou que ficaria em casa só fazendo selfies, mas afirmou que sua equipe precisava considerar que a população é movida por paixões.
A reunião foi aberta pelo coordenador da campanha, Edinho Silva. Também participaram Marília Arraes, eleita senadora em Pernambuco; Elmano de Freitas, reeleito ao governo do Ceará; e Luizianne Lins, eleita ao Senado no Ceará.



