A campanha de reeleição do presidente Lula acusou, neste sábado (10), a Meta, dona do Facebook e do Instagram, de interferir na eleição em favor do senador Flávio Bolsonaro. O grupo informou que pretende acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
Segundo a campanha petista, a empresa prejudicou suas ações digitais em diferentes ocasiões desde o final do ano passado. A equipe afirma que, ao solicitar explicações, recebe da Meta a justificativa de que os episódios foram causados por problemas técnicos.
A ocorrência mais recente teria acontecido entre sexta-feira (9) e este sábado (10). De acordo com uma nota da campanha, o perfil de Lula ficou impedido de impulsionar conteúdos do feed no Instagram desde o começo do dia 9 de outubro até a manhã do dia seguinte. A equipe afirmou que a restrição afetou uma modalidade usada em sua estratégia digital.
Reclamações da campanha
Os petistas também disseram que a conta de anúncios de Lula foi retirada do ar durante a campanha de primeiro turno. Outra reclamação envolve a interrupção no crescimento das visualizações de uma publicação da conta oficial do presidente. O grupo ainda afirma que o algoritmo da Meta favorece a candidatura de Flávio Bolsonaro.
A biblioteca de anúncios da empresa registrava 11 anúncios impulsionados ativos nos perfis de Lula no Instagram e no Facebook.
“Isso causa um desequilíbrio em uma eleição tão apertada”, disse o senador e ex-ministro Camilo Santana, um dos coordenadores da campanha. Ele afirmou que a equipe está levando os casos à Justiça Eleitoral e à ANPD porque a empresa reconheceria os erros, mas não apresentaria justificativas.
A campanha declarou que os problemas técnicos não explicados levantam suspeitas de interferência no processo eleitoral em benefício de Flávio Bolsonaro. A Meta não apresentou, no material consultado, sua versão sobre as acusações.
A equipe de Lula foi reformulada depois de o presidente terminar o primeiro turno atrás do adversário: 45% dos votos para o petista e 47% para Flávio Bolsonaro. Desde então, a campanha ampliou sua presença nas redes sociais e passou a explorar temas como a manutenção da escala 6x1 e o risco de perda de programas sociais caso Flávio seja eleito.
Aliados de Lula e integrantes do governo também relataram, ao longo dos últimos meses, receio de interferência dos Estados Unidos na eleição brasileira em favor de Flávio. Uma das hipóteses mencionadas era que isso ocorresse por meio de empresas de tecnologia.



