A escolha do próximo ministro da Defesa deve ser tratada como uma decisão estratégica, e não como simples composição política. O responsável pela pasta terá de conduzir a política de defesa nacional e assegurar capacidades para proteger o território, a população, os interesses estratégicos e a liberdade de decisão do Brasil.
O perfil necessário, segundo a análise, é o de um ministro civil com autoridade política, visão estratégica, conhecimento das instituições militares e capacidade de liderança. A função não se limita ao diálogo com os comandantes das Forças Armadas ou à defesa de demandas orçamentárias. Cabe ao ministro estabelecer diretrizes baseadas nos interesses do país e nos cenários de ameaça, orientando a organização, o preparo e o emprego militar.
Criado em 1999, o Ministério da Defesa ainda precisa ampliar sua capacidade de direção estratégica do Exército, da Marinha e da Força Aérea. A pasta deve superar disputas corporativas, integrar capacidades e transformar orientações políticas em prioridades e resultados concretos, respeitando as atribuições específicas de cada instituição.
Planejamento e capacidade operacional
Outro ponto central é garantir previsibilidade orçamentária e continuidade aos programas estratégicos. A construção de capacidades militares exige planejamento de longo prazo, investimentos, desenvolvimento tecnológico e preparação que ultrapassam mandatos presidenciais.
Essas capacidades não dependem apenas da compra de equipamentos. Também envolvem pessoal treinado, logística, armamentos, munições, manutenção, inteligência e sistemas de comando e controle. Sem esses elementos, investimentos elevados podem não resultar em capacidade operacional.
A valorização dos militares também aparece como prioridade. Remuneração adequada, condições dignas de trabalho, formação continuada e reconhecimento institucional são apontados como fatores necessários para a motivação e a atração de novas gerações. A identidade com a farda, porém, não deve ser associada a partidos ou disputas políticas.
As Forças Armadas não devem atuar como instrumento moderador de conflitos nacionais, arbitrar divergências entre os Poderes ou atender a grupos que busquem soluções militares para disputas institucionais. A subordinação ao poder civil constitucional e o respeito às instituições democráticas são apresentados como elementos que fortalecem a legitimidade militar.
Defesa e sociedade
A preparação para defender o país deve permanecer como atividade central. O apoio em calamidades e emergências é uma contribuição relevante, mas não pode substituir o preparo para o emprego operacional. A prontidão precisa ser construída em tempo de paz, antes que uma ameaça se materialize.
A política de Defesa também deve ser articulada à política externa, à ciência e tecnologia e à indústria nacional. A diplomacia de defesa e a cooperação internacional podem reforçar a autonomia estratégica, gerar empregos qualificados e ampliar a projeção internacional do país. Para isso, a dissuasão depende de capacidades militares reais, credibilidade e condições de manutenção ao longo do tempo.
A aproximação com a sociedade é outro desafio. Em um país com carências sociais, a Defesa precisa explicar riscos, justificar prioridades, demonstrar resultados e prestar contas sobre o uso de recursos públicos. Segurança, desenvolvimento e prosperidade são apresentados como objetivos complementares.
O próximo presidente deverá, portanto, escolher alguém com conhecimento, habilidade política, capacidade de gestão e disposição para promover mudanças. A escolha indicará o peso que o novo governo pretende dar à soberania e ao futuro do Brasil, já que a ausência de guerras não elimina a existência de ameaças.



