SÃO PAULO — Renato Feder, secretário estadual de Educação de São Paulo, e Leonardo Pascoal, secretário municipal de Educação de Porto Alegre, são os nomes mais citados para comandar o Ministério da Educação em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL). A campanha ainda não definiu a indicação e se prepara para disputar o segundo turno das eleições presidenciais.
Feder já havia sido convidado por Jair Bolsonaro para assumir o MEC em 2020, mas a indicação não avançou. Na ocasião, ele comandava a educação do Paraná. Entre 2017 e 2021, o estado passou do sétimo para o primeiro lugar no Ideb do ensino médio.
Empresário e ex-presidente da fabricante de eletrônicos Multilaser, Feder assumiu a rede paulista em 2023, durante o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Sua gestão priorizou a digitalização das aulas e o acompanhamento de resultados. A rede estadual de São Paulo ficou em décimo lugar entre os estados no ensino médio regular no Ideb de 2025, ante o oitavo lugar em 2023.
Em livro publicado em 2007, Feder defendeu a privatização do ensino público a partir das universidades. Depois, ao assumir a secretaria do Paraná, afirmou ter mudado de posição. A proposta não aparece no programa de Flávio.
Pascoal é economista, filiado ao PL e foi prefeito de Esteio por dois mandatos. Ele assumiu a Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre em 2025 e, neste ano, passou a presidir o Consec, conselho que reúne secretários de Educação das capitais. Na gestão de Sebastião Melo (MDB), suas prioridades são alfabetização, acompanhamento da aprendizagem e ampliação de vagas em creches. Pascoal também participou da elaboração do programa de governo de Flávio.
Universidades federais
O programa de Flávio prevê transferir a governança do ensino superior do MEC para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Também estabelece que Capes e CNPq priorizem inovação, transferência de tecnologia e aplicação produtiva dos estudos.
O documento não fixa metas de orçamento ou expansão para as universidades federais. Reitores, alunos e pesquisadores temem que o ensino superior federal seja deixado em segundo plano e que ocorram cortes. A campanha fala em reduzir despesas públicas e criar uma nova regra fiscal, mas não detalhou onde as reduções ocorreriam.
Levantamento do centro Sou_Ciência, da Unifesp, indicou queda anual dos repasses totais às universidades federais entre 2019 e 2022. No último ano, os valores somaram R$ 53,2 bilhões, corrigidos pela inflação, o menor montante desde 2013. A verba de assistência estudantil recuou cerca de 23% no período.
Até julho de 2021, Jair Bolsonaro não nomeou o candidato mais votado pela comunidade acadêmica em 40% das escolhas de reitores realizadas durante seu mandato. A mudança estimulou alteração na legislação, que passou a permitir que as próprias universidades conduzam o processo eleitoral.



