“O Outro Lado das Redes” acompanha a engenheira de dados Frances Haugen, interpretada por Mikey Madison, e o jornalista Jeff Horwitz, vivido por Jeremy Allen White. Os dois se voltam contra Mark Zuckerberg, interpretado por Jeremy Strong, em uma trama sobre o funcionamento do Facebook e o poder exercido pela plataforma.
Frances trabalha na empresa e é uma entusiasta de suas atividades. A curiosidade, porém, faz com que ela investigue por que determinados fenômenos ocorrem. Entre as questões que a intrigam está a transformação de uma antiga amiga, antes liberal, que em quatro anos aderiu à extrema direita e participou da invasão do Capitólio, em Washington.
Horwitz surge como um repórter pouco familiarizado com o universo tecnológico. Ele sequer sabe usar um GPS, recurso que também permite ao público acompanhar as explicações técnicas apresentadas ao longo da história.
Lucro, segurança e influência
As investigações levam Frances à conclusão de que o Facebook coloca a alta lucratividade acima da segurança dos dados dos usuários. A empresa, na visão apresentada pelo filme, teria interesse em permitir a circulação do ódio, porque esse tipo de conteúdo gera mais engajamento do que outras formas de comunicação.
A história se passa principalmente entre 2019 e 2022. Como Frances ainda trabalha no Facebook e permanece anônima, ela se torna uma fonte importante para Horwitz. O avanço da apuração cria situações de risco para os dois, especialmente para a engenheira.
Paralelamente, uma equipe de especialistas em imagem prepara Zuckerberg para possíveis debates sobre o tema. O grupo tenta evitar que ele pareça arrogante e procura formular respostas para a defesa de uma internet sem censura, com liberdade total e usuários considerados capazes de fazer escolhas racionais.
O personagem também é mostrado sob a pressão dos investidores. A lógica apresentada é que aquilo que gera lucro não pode ser alterado sem colocar em risco a permanência do chefe ou a própria empresa.
A crítica aos algoritmos
O filme sustenta que a liberdade presumida do usuário pode coexistir com uma liberdade efetiva menor e com maior controle da rede sobre seu comportamento. A questão, portanto, não se limita ao lucro: envolve poder e influência sobre hábitos e sensações.
Aaron Sorkin, que escreveu o roteiro de “A Rede Social”, de 2010, e ganhou um Oscar pelo trabalho, também dirige a produção. Desta vez, escolhe um caminho de eficiência, com ritmo rápido e nervoso, em vez de apostar na exuberância. A velocidade reduz o espaço para o tédio e conduz o espectador por uma trama cuja compreensão nem sempre é completa.
Mikey Madison ocupa papel central nesse percurso. A atriz foi hostilizada no Brasil nas redes sociais depois de receber o Oscar de melhor atriz, no mesmo ano em que concorria com Fernanda Torres. Em “Anora”, ela interpretou uma prostituta; agora, aparece como a heroína da história.
Ao tratar do ódio como fator de engajamento, o filme também abre espaço para uma possível investigação sobre manifestações xenófobas nas redes brasileiras.



