SÃO PAULO — Fabio Godinho, ex-CEO da CVC, declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência e recebeu o senador para um jantar em sua casa, em São Paulo. O executivo também entregou a ele um plano de dez anos para o turismo, com 90 páginas e propostas para infraestrutura, segurança e aviação regional.
A mudança ocorre após Godinho ter demonstrado otimismo com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em meados de 2023. Agora, ele afirma que os resultados não sustentam a mesma avaliação. “Eu sou uma pessoa pragmática”, disse.
Críticas à gestão e diagnóstico do setor
A principal crítica de Godinho ao governo atual é a troca de ministros do Turismo. Segundo ele, a pasta teve três titulares ao longo de quatro anos, a mesma quantidade registrada no governo de Jair Bolsonaro. Desde a criação do Ministério do Turismo, há 23 anos, foram 22 titulares, incluindo interinos.
Godinho avalia que a falta de continuidade prejudica o planejamento. No diagnóstico apresentado a Flávio Bolsonaro, ele afirma que o turismo brasileiro representa 7,7% do PIB, enquanto a média mundial é de 10%, uma diferença de 23% em relação ao padrão global, conforme o WTTC (World Travel & Tourism Council).
O executivo também citou o fluxo de estrangeiros. No ano passado, o Brasil recebeu 9,28 milhões de visitantes internacionais, recorde que, segundo ele, foi impulsionado principalmente pelo aumento do turismo argentino e não por uma estratégia de governo. Os argentinos representam mais de um terço dos estrangeiros que visitam o país, e esse fluxo praticamente dobrou entre 2024 e 2025.
Na aviação, Godinho afirmou que o Brasil tem 0,5 voos por habitante, ante 1,1 na Colômbia. Entre 2019 e 2025, o país perdeu 85 rotas, enquanto os colombianos ganharam 49. O Brasil tem 600 aeroportos, mas apenas 60 com voos diários. No setor de cruzeiros, a avaliação é de estagnação em 800 mil passageiros há 15 anos.
Plano apresentado a Flávio Bolsonaro
O documento está organizado em cinco pilares: infraestrutura nos destinos, segurança, portos, aeroportos e conexão regional. Godinho defende gestão profissional, orçamento com retorno definido e indicadores para medir os efeitos dos investimentos sobre destinos, empregos e distribuição de renda.
Ele também propõe uma interlocução mais unificada do setor. Existem 48 associações registradas no Ministério do Turismo, e o executivo defende a criação de uma entidade nos moldes da CNI (Confederação Nacional da Indústria).
Entre as medidas citadas estão uma polícia turística bilíngue, com funcionamento 24 horas, e melhorias na infraestrutura de portos e aeroportos. O custo do embarque de passageiros em Santos, segundo Godinho, é 40% maior que na Flórida, porque o terminal não tem estrutura exclusiva para turistas e compartilha operações com cargas.
Flávio Bolsonaro teria recebido o plano de forma positiva e se comprometido a dar atenção especial ao tema, sem assumir o documento integralmente. Godinho afirmou que o senador demonstrou disposição para incluir o turismo entre as principais bandeiras de seu plano de governo.
Sobre a possibilidade de redução do Ministério do Turismo, o executivo disse que Flávio enfrentaria uma situação fiscal difícil, mas ressaltou que o setor exige planejamento de longo prazo. A respeito da chamada PEC das Praias, afirmou ainda não ter posição definida e disse que a privatização de todas as praias seria impossível.
Godinho também citou como medida positiva do governo Lula a abertura do mercado para a atuação de outras companhias aéreas. Para ele, essa política deve ser ampliada.



