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Política

Mendonça afasta diretor da PF após crise com Moraes e relatório de inteligência

Ministro do STF já avaliava retirar Andrei Rodrigues do cargo havia cerca de um mês antes de determinar o afastamento.

Mendonça afasta diretor da PF após crise com Moraes e relatório de inteligência

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), já considerava afastar Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal havia cerca de um mês. A decisão foi tomada depois que Alexandre de Moraes apontou supostas irregularidades em um relatório de inteligência atribuído a uma ala da PF ligada ao diretor-geral.

Mendonça entendeu que o documento era inválido e determinou o afastamento de Andrei. O ministro também indicou que a Polícia Federal o teria monitorado por pelo menos 30 dias em 2026. Segundo a decisão, o material apontava uma tentativa de interferir em provas apreendidas e de direcionar investigações contra Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Suspeitas entre ministros e PF

No início de agosto, Mendonça teria sinalizado ao presidente do STF, Edson Fachin, que uma medida drástica poderia ser necessária. Ele suspeitava que Andrei atuasse com viés político na chefia da corporação para blindar a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A desconfiança era recíproca. Andrei teria relatado a Fachin que Mendonça conduzia os casos Master e INSS de modo a prejudicar pessoas ligadas à esquerda e beneficiar aliados de Flávio Bolsonaro. O diretor-geral também se queixava de interferências do ministro na autonomia da PF, incluindo ordens para acessar o acervo bruto de provas coletadas por investigadores.

Fachin manteve conversas com Mendonça e se reuniu com Andrei e com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva. Os encontros foram descritos por um interlocutor como “audiências para aparar arestas”. O presidente do STF disse a auxiliares que buscava preservar as instituições e admitiu preocupação com o rumo da crise.

Em reunião intermediada pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, Mendonça chegou a sinalizar que poderia recompor a relação com Andrei e deixou temporariamente de lado a intenção de afastá-lo. O mal-estar, porém, continuou. O ministro reclamava da demora da PF, especialmente no caso de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

Relatório e julgamento

A intenção de afastar Andrei voltou a ganhar força depois que Moraes acusou Mendonça de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. A acusação foi baseada em um relatório que, segundo Mendonça, teria sido produzido por setores da PF ligados ao diretor-geral.

O documento surgiu após Mendonça divulgar mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, a um interlocutor apontado como Moraes. Nas conversas, Vorcaro pediu informações sobre o andamento das investigações e perguntou se deveria deixar o país.

Mendonça afirmou que a “superlativa gravidade e ilicitude na produção dos ‘relatórios de inteligência’” exigia providências imediatas. O ministro também disse ser inimaginável que setores da PF alinhados a Andrei e, consequentemente, a Moraes, produzissem relatórios para descredibilizar o trabalho de delegados e agentes envolvidos no caso Master.

O afastamento foi submetido ao julgamento virtual da Segunda Turma do STF. A sessão começou às 10h desta terça-feira (8), e Gilmar Mendes pediu vista. Kassio Nunes Marques e Luiz Fux anteciparam os votos e acompanharam integralmente a posição de Mendonça, formando maioria.

A votação durou menos de dez minutos. O colegiado ainda inclui Dias Toffoli, cuja participação é incerta porque ele se declarou suspeito em casos relacionados ao Master.

Histórico dos atritos

Os conflitos entre Mendonça e Andrei começaram nas apurações das operações Sem Desconto e Compliance Zero. O ministro reclamou de mudanças na equipe e na estrutura das investigações feitas sem conhecimento prévio.

Integrantes da cúpula da PF afirmam que a abertura de três frentes de investigação contra Lulinha e uma operação contra o senador Jaques Wagner mostram que não há uso político das apurações. Eles também citam os prazos para autorizar diligências: nove dias contra Wagner, 29 dias contra Ciro Nogueira e 75 dias contra Claudio Castro.

Mendonça afirma a pessoas próximas que age com cautela e independência, sem se submeter a pressões. O ministro costuma dizer que sua motivação é “fazer o que é certo” e que busca proteger a integridade das investigações dentro do devido processo legal.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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