Alexandre Padilha, ministro da Saúde e conselheiro de Luiz Inácio Lula da Silva, e o médico Cláudio Lottenberg, indicado por Flávio Bolsonaro para comandar a pasta caso seja eleito, apresentaram propostas semelhantes para o SUS em um evento nesta terça-feira (8). Ambos defenderam ampliar a produção nacional de medicamentos e insumos, integrar dados da rede pública e aumentar o uso de tecnologia.
Os dois também apoiaram a mudança no modelo de pagamento do SUS, com remuneração vinculada ao resultado clínico do paciente, e não apenas à quantidade de procedimentos realizados.
A apresentação reuniu representantes de campanhas presidenciais para discutir propostas para a Saúde até 2030. Os assessores tiveram 20 minutos para expor seus planos, sem debate entre os participantes ou perguntas da plateia.
Propostas de Padilha e Lottenberg
Padilha afirmou que um eventual novo mandato de Lula deve consolidar políticas em andamento, entre elas o programa Agora Tem Especialistas. Segundo o ministro, a iniciativa substitui gradualmente o pagamento fragmentado por procedimento por um valor destinado ao conjunto de serviços prestados ao paciente, do diagnóstico e da consulta a outras etapas do atendimento.
O ministro também defendeu ampliar o uso de carretas para levar atendimento a regiões remotas e fortalecer uma rede nacional de cuidado do câncer. Entre as propostas citadas estão novos protocolos para mulheres na menopausa e idosos em cuidado domiciliar, além da incorporação definitiva ao SUS das canetas emagrecedoras.
Lottenberg propôs melhorar a integração dos dados e usar inteligência artificial para organizar filas, como a de transplantes. Ele também defendeu o cruzamento de informações para localizar pacientes com vacinas e exames atrasados.
O médico afirmou que dados de mapeamento genético da população brasileira poderiam reduzir o desperdício de recursos com medicamentos baseados em informações de outros países. Também propôs ampliar a produção local de remédios e insumos para reforçar a segurança nacional em períodos de crise. Como exemplo de fragilidade, citou a falta de respiradores em cidades como Manaus durante a pandemia da Covid-19.
Lottenberg não criticou a gestão petista e disse que parte de suas propostas se relaciona a medidas já adotadas pelo Ministério da Saúde. Ele classificou o SUS como uma estrutura que precisa ser aperfeiçoada, sem uma reforma.
Padilha, por sua vez, criticou a postura antivacina e os cortes promovidos pelo governo de Jair Bolsonaro em programas como o Farmácia Popular. Não mencionou Lottenberg. Interlocutores do ministro afirmam que os dois mantêm uma relação amistosa e lembram que Lottenberg foi especulado para a vaga de vice na chapa de Padilha à Prefeitura de São Paulo, em 2014.
Outras propostas apresentadas
Luiz Henrique Mandetta, representante da candidatura de Ronaldo Caiado, defendeu dividir o SUS por regiões de saúde. A proposta prevê planejar serviços e distribuir recursos para áreas com 1 milhão a 1,5 milhão de habitantes. Ele também sugeriu uma discussão mais ampla sobre o vício em apostas.
Felipe Roth, da candidatura de Renan Santos, apresentou o projeto SUS fila zero, com organização da rede pública segundo a gravidade da doença e o impacto funcional. O plano prevê reajustar o piso da Saúde pela inflação, em vez de usar o mínimo de 15% da Receita Corrente Líquida, além de manter a vacinação acima das metas.
Adriana Ventura, que formula as políticas de saúde de Romeu Zema, defendeu contratar espaços ociosos em hospitais privados e melhorar a gestão dos recursos transferidos pela União. Ela também criticou o uso atual das emendas parlamentares e apoiou o pagamento dos serviços do SUS conforme o desfecho clínico.
A candidatura de Augusto Cury não enviou representante ao evento.



