A emissão da primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) cresceu 17,1% de janeiro a agosto de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior, informou o Ministério dos Transportes. Cerca de 2 milhões de condutores foram habilitados no período.
A procura pelo documento aumentou em ritmo maior: 216%. O número de pessoas que iniciaram o processo passou de 2,3 milhões para 7,3 milhões.
O custo médio para obter a habilitação na categoria AB, que permite dirigir motos e carros, caiu de cerca de R$ 3.000 para R$ 1.256, dependendo do estado. No Rio Grande do Sul, onde o valor chegava a R$ 5.000, a média passou para R$ 1.365.
Mudanças no processo
Os dados foram divulgados cerca de nove meses depois de Luiz Inácio Lula da Silva lançar um pacote de flexibilização das regras para tentar reduzir o custo da habilitação. As medidas foram conduzidas pelo então ministro dos Transportes, Renan Filho, que deixou o cargo para ser candidato a governador de Alagoas.
Entre as alterações estão o fim da obrigatoriedade de frequentar a autoescola e a redução das aulas práticas obrigatórias de 20 para 2. O governo também estabeleceu um teto de R$ 180 para os exames médico e psicológico. Segundo o Ministério dos Transportes, essa medida gerou uma economia estimada de R$ 414,6 milhões.
No total, o governo calculou uma economia de R$ 9,64 bilhões para os cidadãos, considerando economias diretas, indiretas e estimativas. O ministério estima que 20 milhões de brasileiros dirigem sem CNH. A meta para os próximos cinco anos é elevar em 25% o número de novos habilitados.
A emissão aumentou mais entre os motoristas mais velhos. A alta foi de 11,9% entre pessoas de 18 a 20 anos e de 6,6% na faixa de 21 a 24 anos. Entre aqueles de 45 a 54 anos, o crescimento foi de 37,4%; para pessoas com 55 anos ou mais, de 53,4%.
Entre as mulheres, 1,2 milhão tiraram a primeira carteira, alta de 18%.
Prazo e diferenças entre estados
A mediana do tempo necessário para concluir o processo caiu de 210 dias, entre janeiro e agosto do ano passado, para 147 dias em 2026. O tempo médio não foi informado.
Dois em cada três motoristas levaram cerca de seis meses para obter a habilitação no último ano. Em 2026, esse percentual caiu para 40,6%, o menor da série histórica iniciada em 2009. Apenas 3,7% conseguiram o documento em até um mês.
Para as emissões da primeira CNH, as maiores altas ocorreram na Paraíba, com 77%, em Sergipe, com 69,5%, e no Acre, com 55,4%. Tocantins (-2,8%), Goiás (-5,9%), Minas Gerais (-6%) e Rio de Janeiro (-25,6%) tiveram queda.
Na procura pelo documento, Amapá (+485,8%), Sergipe (+472,5%) e Pernambuco (+468%) registraram os maiores avanços. Santa Catarina (+114%), Tocantins (+138,5%) e Minas Gerais (+154,9%) tiveram as menores altas.
O secretário nacional de Trânsito, Adrualdo Catão, afirmou que o Rio foi o último estado a concluir a adesão às novas regras. De acordo com ele, parte dos atrasos ocorreu porque os sistemas dos Departamentos Estaduais de Trânsito dependiam de informações das autoescolas. Treze estados estão sob fiscalização por possíveis descumprimentos, incluindo São Paulo.
O aplicativo CNH do Brasil também foi reformulado. O Ministério dos Transportes passou a oferecer gratuitamente, pela internet, material teórico para o exame. Os cursos feitos pelos candidatos aumentaram de cerca de 2 milhões para 4,4 milhões.



