RIO DE JANEIRO — Douglas Ruas (PL), presidente da Assembleia do Rio de Janeiro e declarado governador eleito no sábado (10), deverá tomar posse enquanto é investigado pela Procuradoria-Geral da Justiça. O procedimento apura suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro, fraude licitatória e organização criminosa.
A investigação foi aberta em julho a partir de uma denúncia anônima encaminhada ao Ministério Público e ao Tribunal de Justiça. Como o caso está sob sigilo, eventual procedimento que continuar até a posse deverá ser enviado à Procuradoria-Geral da República.
Ruas não comentou por meio de sua assessoria. Na semana passada, depois de um debate na TV Globo, afirmou ter tranquilidade e disse acreditar que a apuração será arquivada. “Tenho certeza que essa outra será arquivada”, declarou.
Transações e contratos
O Ministério Público investiga transações milionárias realizadas por Ruas, por sua esposa, Mariana Barbosa, e por empresas do casal nos últimos três anos. Entre as operações estão aquisições de imóveis e precatórios, avaliadas em mais de R$ 16 milhões segundo as escrituras.
As compras começaram em janeiro de 2023, quando Ruas havia sido eleito deputado com a segunda maior votação do estado, e aumentaram depois de setembro do mesmo ano, quando ele assumiu a Secretaria de Cidades durante a gestão de Cláudio Castro (PL).
Também integra a apuração uma auditoria do governo estadual sobre contratos da Secretaria de Cidades. O principal apontamento foi um aditivo de 45% feito 17 dias depois do início da execução de um contrato. Um dos fornecedores era a mineradora da família do deputado Altineu Côrtes (PL-RJ), padrinho político de Ruas.
A empresa de Ruas recebeu R$ 1,58 milhões da pedreira da família de Altineu. O pagamento ocorreu por serviços prestados a uma empresa que havia sido subcontratada para executar uma obra da Secretaria de Cidades.
Ruas afirmou que sua empresa tem atuação no mercado de logística e que, a partir de 2023, passou a trabalhar com imóveis e ativos financeiros, incluindo precatórios. Também disse que sua esposa atua no varejo há dez anos. Sobre os contratos públicos, declarou: “Sei muito bem separar a vida pública da vida privada”.
O deputado afirmou ainda que a Secretaria de Cidades não interfere na escolha dos fornecedores das empresas contratadas e que a nova lei de licitações não estabelece limite de 25% para aditivos de valores.
Altineu disse que a mineradora Santa Edwiges é privada, nunca participou de licitação com o governo estadual e vende apenas para clientes privados. Segundo ele, a empresa pratica preços inferiores aos da tabela do governo.
Eleição estadual
A declaração de Ruas como governador eleito ocorreu após o Tribunal Superior Eleitoral considerar definitivamente nulos, nesta quinta-feira (8), os votos dados ao ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos). Com a decisão, Ruas foi proclamado vencedor no primeiro turno, com 50,88% dos votos válidos, em cerimônia realizada no sábado.
Eduardo Paes (PSD), que disputaria o segundo turno com Ruas caso os votos fossem validados, recorreu ao Supremo Tribunal Federal. O pedido foi negado pelo ministro Cristiano Zanin, e Paes reconheceu a derrota na eleição estadual.



