RIO DE JANEIRO — O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro rejeitou, nesta terça-feira (8), os registros de candidatura dos deputados estaduais Renato Machado (PT) e Diego Alba (PSDB). As decisões consideraram suspeitas e provas relacionadas ao envolvimento dos dois com organizações criminosas.
Machado é réu em dois processos ligados ao período em que foi secretário de Obras da Prefeitura de Maricá (RJ). As denúncias surgiram de um inquérito que investigou uma possível relação do deputado com uma narcomilícia que atua no município.
A Procuradoria Regional Eleitoral contestou a candidatura com base nessas investigações. Uma delas resultou em denúncia contra Machado como suposto mandante do homicídio de um jornalista. A Justiça decidiu pela impronúncia, quando considera que não há indícios suficientes contra o réu para levar a acusação ao Tribunal do Júri.
A defesa afirmou que Machado foi retirado desse processo e que as demais ações tratam de sua atuação como secretário, sem relatos de associação com organizações criminosas. “Não há nenhuma prova em relação ao Renato”, disse o advogado Paulo Henrique Fagundes.
O relator, desembargador Bruno Bodart, afirmou que a Justiça Eleitoral pode analisar os elementos reunidos nos autos de forma independente. Para ele, a impronúncia não elimina a possibilidade de análise sobre o fato e a autoria. Bodart também declarou haver elementos que relacionam Machado a homicídios e ao Terceiro Comando Puro, incluindo atuação armada e política em Maricá.
Caso de Diego Alba
Diego Alba já foi condenado por crime de quadrilha armada em casos de roubos conhecidos como “saidinha de banco”. Ele também foi denunciado em outros processos e absolvido nesses casos.
A Procuradoria Regional Eleitoral afirmou que a condenação, as provas de atuação estruturada em organização criminosa e investigações envolvendo Alba e sua empresa indicam histórico de envolvimento com crimes como estelionato e associação criminosa.
A defesa disse que a condenação se refere a um crime cometido no passado, cuja pena já foi cumprida, e que não suspende os direitos políticos do candidato.
O TRE também havia rejeitado o registro do deputado Val Ceasa (PRD), investigado sob suspeita de vínculo com o Terceiro Comando Puro.




