CUIABÁ — O advogado Ênio Martimiano da Cunha Júnior foi preso nesta quarta-feira (14), em Cuiabá, sob suspeita de envolvimento no assassinato de Gabriel Martins Pereira, de 25 anos. O crime ocorreu em novembro de 2024, segundo a Polícia Civil.
A investigação afirma que o advogado obteve a liberdade de Gabriel, que havia sido detido por suspeita de tráfico, e depois o levou até integrantes de uma facção criminosa. A polícia diz que o grupo suspeitava que a vítima tivesse informado às forças de segurança a localização de um esconderijo com mais de 100 quilos de drogas. Não foram encontrados indícios de que Gabriel tivesse feito essa denúncia.
Investigação do homicídio
Gabriel havia sido abordado pela Polícia Militar com pequenas porções de drogas e levado à Central de Flagrantes. Durante a ocorrência, os policiais receberam informações sobre outro endereço usado para esconder entorpecentes e localizaram mais de 100 quilos.
O delegado responsável pelo caso afirmou que a equipe não identificou elementos suficientes para manter Gabriel preso em flagrante. Depois da liberação, conforme a Polícia Civil, ele saiu em um veículo conduzido pelo advogado. Em outro ponto, duas pessoas entraram no carro. Na manhã seguinte, Gabriel foi encontrado morto.
O laudo pericial indicou que a vítima foi torturada antes de morrer. A investigação aponta que ela sofreu 16 disparos de arma de fogo e 15 golpes de faca. Para a polícia, o homicídio teria sido cometido com o objetivo de intimidar outras pessoas da região.
Ênio é um dos quatro investigados na Operação Silenciar, conduzida pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Outros dois suspeitos já estavam presos por crimes diferentes. O quarto investigado, apontado como integrante da facção e responsável pela função de “disciplina” na época, está foragido.
A Polícia Civil informou que os quatro foram indiciados e que a Justiça determinou a prisão preventiva. Os mandados foram cumpridos nesta quarta-feira, exceto contra o suspeito foragido. A prisão do advogado teve acompanhamento de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso (OAB-MT).
O delegado afirmou que o caso não representa a advocacia em geral, mas disse que a apuração identificou participação concreta do advogado no homicídio. As buscas pelo suspeito foragido continuam.



