SÃO PAULO — O influenciador e empresário Gabriel Spalone foi preso novamente em São Paulo, sob suspeita de extorquir e ameaçar dois empresários. Ele é investigado por exigir o pagamento de uma dívida e por afirmar que sequestraria familiares das vítimas caso não recebesse o dinheiro.
A prisão foi realizada por policiais civis da 1ª Delegacia Antissequestro, ligada ao Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope). As equipes cumpriram mandados de prisão temporária e de busca e apreensão autorizados pela Vara Regional das Garantias de Osasco, na Grande São Paulo.
Os alvos das ameaças são Marcio Eduardo Nozari e Marcel Rosica Anconi, sócios da Cargobr Transportes Ltda. A acusação afirma que, depois de ser solto na investigação sobre o suposto desvio de R$ 146 milhões por meio do PIX, Spalone passou a cobrar dos empresários uma quantia que dizia ter a receber.
Os empresários sustentam que a dívida foi compensada com valores de outro negócio envolvendo Márcio e Spalone, que teria causado prejuízo financeiro. A divergência sobre essa compensação teria dado origem às cobranças.
Segundo a denúncia, além dos dois empresários, o influenciador teria ameaçado o advogado deles, identificado como Bruno. Spalone também teria dito que integrava o Primeiro Comando da Capital (PCC). A defesa nega que ele faça parte da organização.
A Justiça de Osasco autorizou a prisão temporária. Spalone deve passar por audiência de custódia nesta quinta-feira (8). O advogado Eduardo Maurício afirmou que ainda não teve acesso aos autos, que estão sob segredo de Justiça. A defesa pretende pedir a liberdade do influenciador e, se necessário, a revogação da prisão.
Investigação sobre o desvio via PIX
Spalone também responde a processo criminal por furto qualificado e associação criminosa relacionado ao esquema que teria desviado R$ 146 milhões de um banco e de empresas por meio de transferências ilegais. Em setembro de 2025, ele foi detido ao chegar ao Aeroporto Internacional de Buenos Aires, após ser incluído na Difusão Vermelha da Interpol, e depois extraditado para o Brasil.
De acordo com a Polícia Federal, a prisão contou com apoio da Polícia Civil de São Paulo e de autoridades da Argentina, Panamá, Paraguai e Estados Unidos. Antes disso, Spalone havia sido detido no Panamá após viajar a Dubai, mas foi liberado porque ainda não estava na lista da Interpol. Horas depois, seu nome foi incluído no alerta vermelho da organização internacional.
Em 2025, a Delegacia de Crimes Cibernéticos da Polícia Civil de São Paulo realizou uma operação para prendê-lo temporariamente e cumprir mandados de busca e apreensão, mas ele não foi localizado. Outras duas pessoas foram presas: Guilherme Sateles Coelho e Jesse Mariano da Silva, que teriam se beneficiado em quase R$ 75 milhões.
Segundo os investigadores, empresas criadas por Spalone ofereciam serviços financeiros digitais, como câmbio, criptomoedas e pagamentos, sem autorização do Banco Central para realizar transferências diretas via PIX. Em fevereiro deste ano, essas empresas fizeram, em menos de 5 horas, mais de 600 transferências ilegais por PIX indireto, a partir de 10 contas de um banco, totalizando R$ 146 milhões. O banco identificou a fraude e recuperou R$ 100 milhões.



