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Ministro aponta indícios de incêndios criminosos em áreas preservadas do Amazonas

João Paulo Capobianco sobrevoou áreas atingidas e afirmou que focos no interior da floresta indicam intenção de degradar a vegetação.

Ministro aponta indícios de incêndios criminosos em áreas preservadas do Amazonas
Foto: Michael Dantas/- 9.out.26/AFP

O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que os incêndios florestais no Amazonas apresentam indícios de ação criminosa. Após sobrevoar áreas atingidas no domingo (11), ele disse que a situação era mais grave do que esperava, especialmente pela presença de focos no interior de áreas preservadas.

"O que nós vimos ali é uma questão muito grave. Eu diria mais grave do que eu imaginava antes de fazer o sobrevoo", declarou Capobianco.

Segundo o ministro, o fogo não está restrito a queimadas em pastagens que poderiam se espalhar para a floresta. Para ele, a ocorrência de vários focos em áreas preservadas indica incêndios provocados com o objetivo de degradar a vegetação e depois promover a derrubada.

Capobianco pediu ao Governo do Amazonas que acione a Polícia Militar, além do Corpo de Bombeiros, para investigar e punir os responsáveis. A comitiva federal também reuniu Waldez Góes, ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, e Jair Schmitt, presidente do Ibama. O grupo sobrevoou principalmente a região de Autazes, um dos municípios mais atingidos.

Focos e áreas atingidas

Dados do Painel do Fogo, do Censipam, registraram 1.600 eventos de fogo ativo no Amazonas entre 1º de outubro e esta segunda-feira (12). No mesmo período de 2025, foram contabilizados 444 eventos, alta de 260%.

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima informou que o Ibama extinguiu 292 incêndios no estado desde o início da temporada e ainda atuava contra outros oito incêndios ativos. O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas registrou 3.558 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais entre 1º de junho e 11 de outubro. A corporação informou ter combatido 21.690 focos: 4.526 em Manaus e 17.164 no interior.

Em Itacoatiara, mais de 150 pessoas, incluindo voluntários, foram mobilizadas em uma força-tarefa. A prefeitura informou que seis pontos do município foram atingidos, com mais de 2.000 hectares queimados. Em Careiro da Várzea, famílias deixaram suas casas com a aproximação do fogo de áreas residenciais. Em Boa Vista do Ramos, mais de 200 pessoas atuavam voluntariamente na contenção das chamas.

A prefeitura de Itacoatiara também identificou uma área de desmatamento ilegal e apreendeu uma roçadeira e outros materiais. O coordenador da Defesa Civil local, Hekney Rebouças, pediu que moradores não usem fogo para preparar roças enquanto durar a estiagem.

Fumaça e resposta pública

Manaus ficou encoberta por fumaça pelo quinto dia consecutivo nesta segunda-feira. O Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental, da Universidade do Estado do Amazonas, registrou qualidade péssima do ar em vários pontos. Em um deles, a concentração chegou a 219 microgramas por metro cúbico de material particulado. A qualidade é considerada boa quando o índice fica em até 25 µg/m³.

O Governo Federal mobilizou 11 aeronaves para o combate aos incêndios. Duas aeronaves KC-390 Millenium, da FAB, chegaram a Manaus na noite de domingo (11). Uma transportaria materiais e equipamentos; a outra seria usada diretamente nas operações. Para esta segunda-feira (12), estavam previstas três decolagens, com lançamento de cerca de 12 mil litros de água por saída.

O Governo do Amazonas informou que mantém ações de prevenção, fiscalização, monitoramento e combate às queimadas. Um decreto estadual de 9 de setembro de 2026 proibiu o uso do fogo por 120 dias em todo o estado, com exceções previstas na legislação. Também foram contratados 153 brigadistas florestais, e 36 municípios tiveram situação de emergência decretada.

O governo estadual atribuiu o agravamento das condições ao fenômeno El Niño, com previsão de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas. O Governo Federal informou ainda que apoia o Amazonas por meio do projeto ProAmazon, com R$ 45 milhões do Fundo Amazônia. Os pagamentos foram realizados em janeiro de 2025 e março de 2026.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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