PARIS — A Renault está recorrendo a modelos que marcaram sua história para disputar espaço com o avanço das fabricantes chinesas. No Salão do Automóvel de Paris de 2026, a montadora apresenta veículos inspirados em lançamentos das quatro últimas décadas do século 20, todos com motorização elétrica.
Ivan Segal, vice-presidente global de vendas da Renault, afirma que a estratégia usa a memória dos consumidores como uma vantagem competitiva. “Utilizamos o passado somente como uma base para preparar o futuro”, disse. Segundo ele, lembranças ligadas ao primeiro carro, a viagens em família e a outros momentos pessoais ajudam a criar uma conexão com a marca.
Entre janeiro e setembro, a Renault ampliou em 0,2 ponto percentual sua participação no mercado europeu, para 6,3%. A empresa mantém um centro de desenvolvimento na China com 150 funcionários e diz ter incorporado aos processos a velocidade de desenvolvimento observada no país.
Modelos elétricos e competição
O novo Twingo foi desenvolvido em aproximadamente dois anos, contra quatro anos em projetos semelhantes no passado. Recém-lançado na Europa, o compacto é uma releitura da primeira geração, lançada em 1993. O veículo tem alcance próximo a 250 km no uso urbano e preço equivalente a R$ 110 mil na França. Seu concorrente direto é o BYD Dolphin Mini.
A Renault também exibe, ainda como protótipos, a minivan e-Space e o Renault 5 Turbo 3E, inspirados em carros históricos da década de 1980. Outra atração é uma versão moderna do Renault 8 Gordini, sedã esportivo lançado originalmente em 1964.
A venda de automóveis a bateria da Renault na Europa cresceu aproximadamente 75% no acumulado do ano em comparação com 2025. O Twingo e o compacto 5 E-Tech contribuem para o resultado. Segal também relaciona o aumento da procura ao cenário internacional e à evolução dos preços dos combustíveis.
Operação no Brasil
No Brasil, a Renault mantém uma parceria com a chinesa Geely. O acordo acrescentou R$ 2 bilhões ao investimento na fábrica de São José dos Pinhais (PR), que passa por um ciclo total de R$ 5,8 bilhões em aportes, previsto para terminar no próximo ano.
A unidade montará os modelos EX2 e EX5, da Geely, e deverá produzir um futuro veículo híbrido com a marca Renault, baseado em uma plataforma da parceira. O modelo será destinado a diferentes mercados da América Latina.
Enquanto o novo veículo não chega, a Renault do Brasil busca ampliar as vendas dos SUVs Kardian e Boreal. O Kwid passou por atualização, e a picape Niagara está prevista para chegar às lojas no início de 2027.
A Renault foi fundada em 1898, tem sede na França, receita de R$ 321 bilhões em 2025 e 100 mil funcionários. A empresa está presente em 130 países e vendeu 2,3 milhões de veículos em 2025. Entre seus principais concorrentes estão Volkswagen, Stellantis, Toyota, Hyundai e BYD.



