LAGOA SANTA — As escolas municipais de Lagoa Santa, na Grande BH, não terão aulas nesta quinta-feira (8) e sexta-feira (9) após o município registrar 241 casos notificados de sarna. Desse total, 50 notificações foram recebidas nas últimas 24 horas.
A decisão foi tomada pelas secretarias municipais de Educação e Saúde depois de pedidos feitos por pais e responsáveis. A prefeitura classificou a interrupção como uma medida adicional de precaução, mas informou que o fechamento das unidades não faz parte das recomendações técnicas de rotina para controlar a doença e, isoladamente, não impede a transmissão.
Durante a suspensão, as famílias devem observar o surgimento de sintomas, buscar atendimento quando houver suspeita e cumprir o tratamento indicado pelos profissionais de saúde. As equipes escolares fazem inspeções diárias nas turmas. Quando identificam sinais compatíveis com a doença, comunicam os responsáveis e orientam a procura por uma unidade de saúde.
Notificações e medidas na rede municipal
O número de registros subiu de 191 para 241 no boletim mais recente. As novas notificações foram encaminhadas pelo hospital, pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e pelas escolas. Conforme a administração municipal, todos os casos passaram por avaliação na rede pública de saúde, que indica o tratamento adequado.
Uma escola municipal já havia interrompido as atividades. Em 30 de setembro, a unidade tinha 20 casos confirmados, além de outro caso confirmado fora da instituição. O primeiro alerta ocorreu em 18 de setembro, quando uma aluna apresentou sintomas. Servidores também foram afastados por suspeita ou diagnóstico inicial.
Naquela unidade, as aulas ficaram suspensas nos dias 1º e 2 de outubro. Médicos e enfermeiros atenderam os estudantes no próprio local, com autorização dos responsáveis, para facilitar o diagnóstico e o começo do tratamento.
Transmissão e cuidados
A sarna, também chamada de escabiose, é provocada por um ácaro e costuma causar coceira intensa e lesões na pele. A principal forma de transmissão é o contato direto e prolongado com uma pessoa infestada. O contágio também pode ocorrer pelo uso compartilhado de roupas, toalhas ou roupas de cama, embora com menor frequência.
A doença não é causada por falta de higiene e não passa por tosse ou espirro. Ao notar sintomas, a recomendação é procurar uma unidade de saúde e seguir a prescrição recebida. Quando a equipe indicar, familiares e pessoas que tiveram contato próximo devem fazer o tratamento simultaneamente.
Não há orientação para medicar preventivamente toda a população. A volta da criança à escola deve seguir a avaliação dos profissionais de saúde, levando em conta o tratamento realizado e as condições de cada caso.
Em casa, a prefeitura orienta lavar roupas, toalhas e roupas de cama usadas no período relacionado ao início do tratamento. Quando possível, os itens devem ser lavados com água quente, totalmente secos e passados com ferro quente. Objetos que não possam ser lavados devem ficar em saco plástico fechado e sem uso por sete dias.
Também é recomendado não dividir roupas, lençóis, cobertores, travesseiros e outros objetos que encostem diretamente na pele. A limpeza habitual deve ser mantida e, quando possível, sofás, colchões e tapetes devem ser aspirados. Não é necessário descartar móveis ou colchões.
As unhas devem permanecer curtas e limpas, e é preciso evitar coçar as lesões. Até a realização do tratamento recomendado, a orientação é evitar contato prolongado de pele com pele e não usar ou compartilhar medicamentos por conta própria.
A coceira pode continuar por algumas semanas mesmo depois do tratamento adequado. O retorno à unidade de saúde é indicado se aparecerem novas lesões, houver piora da coceira, feridas com secreção, dor, febre ou sintomas em outros familiares.



