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Médicos ficam fora das redes sociais mesmo com pressão por visibilidade

Profissionais relatam que evitam Instagram e TikTok por discordar da dinâmica das plataformas ou dos riscos à comunicação médica.

Médicos ficam fora das redes sociais mesmo com pressão por visibilidade
Foto: Pixabay/Pixabay

Médicos de diferentes especialidades estão optando por não manter perfis profissionais nas redes sociais, apesar da pressão para usar plataformas como Instagram e TikTok na atração de pacientes. A presença digital se tornou uma forma de divulgar procedimentos, doenças e informações sobre a profissão, além de ajudar na construção de relevância no mercado.

O dermatologista Emerson Vicente Alves, 53, não tem perfis nas redes. A única plataforma do tipo que já usou foi o Orkut, encerrado em 2014. Ele afirma que há mais de dez anos ouve que deveria criar um Instagram, mas continua atendendo sem seguir essa recomendação.

Pacientes costumam dizer que não o encontraram na plataforma. Alves explica que outras formas de indicação continuam funcionando, como a pesquisa sobre sua formação e a recomendação entre pessoas. Ele atende funcionários de empresas de tecnologia próximas ao consultório, na região do Itaim Bibi, em São Paulo (SP), e diz que muitos chegam por indicação interna.

“Eu não tenho tempo para isso”, afirma Alves ao explicar por que não produziria vídeos diariamente, responderia perguntas e manteria o atendimento ao mesmo tempo. Para ele, também há problemas quando a comunicação com o paciente é terceirizada para uma agência ou outro profissional.

Regras para a divulgação médica

O Conselho Federal de Medicina passou a estabelecer regras mais específicas para o uso profissional das redes depois de março de 2024. A regulamentação trata, entre outros pontos, da divulgação de imagens e resultados de procedimentos. O paciente não pode ser identificado, e a publicação deve apresentar informações sobre indicações, fatores que influenciam os resultados e possíveis complicações.

O conselho também não permite promessas de resultados, informações falsas ou a atribuição de eficácia privilegiada a técnicas e equipamentos. Comentários elogiosos de pacientes ou terceiros compartilhados pelo médico são considerados publicações do próprio profissional e ficam sujeitos às mesmas exigências.

As denúncias sobre irregularidades nas redes sociais aumentaram nos últimos anos. Segundo Estevam Rivello, segundo secretário do CFM, os processos relacionados a esse tipo de conduta superaram os casos de erros em procedimentos médicos ou de falta de assistência aos pacientes, que eram mais comuns no passado. O conselho informou que ainda não possui um levantamento nacional sobre esses processos.

Em geral, os profissionais são notificados e fazem as correções necessárias. Se isso não ocorrer, o caso pode se transformar em Processo Ético-Profissional. Médicos notificados frequentemente afirmam que contrataram agências que não seguiram as normas da categoria.

Motivos para evitar as plataformas

Emilio Abelama Neto, 31, concluiu a residência em psiquiatria no início de 2023 sem considerar a criação de um perfil profissional. Ele mantém apenas uma conta pessoal, não tem o aplicativo no celular e critica a dinâmica das redes, que considera voltada à propaganda e capaz de estimular o uso excessivo.

Neto atende em consultórios particulares, mas concentra sua atuação na pesquisa. Para o contato com pacientes, considera suficientes ferramentas como WhatsApp e ligação telefônica. Ele observa, porém, que muitos psiquiatras passaram a usar as plataformas para serem encontrados por novos pacientes e fortalecer sua atuação em clínicas particulares.

A médica de família e comunidade Sofia Moreira, 31, também não mantém redes profissionais. Ela afirma que parte das consultas no SUS é dedicada a corrigir informações divulgadas por médicos nas plataformas, especialmente conteúdos sem base científica ou que apresentam soluções simples para problemas complexos.

Moreira ressalta que as redes também podem oferecer informações corretas e interessantes. Na avaliação dela, o ideal seria que fossem usadas para compartilhar conhecimento e promover saúde, e não principalmente para atrair pacientes. Ela diz que só cogitaria criar um perfil profissional se deixasse o SUS e passasse a trabalhar em uma clínica, ainda assim contra a própria vontade.

Não há levantamento sobre a quantidade de médicos com perfis em redes como Instagram e TikTok. Para Katiuscia Fogaça, médica e publicitária que integra a Codame do CRM-PR, a expansão dessas plataformas fez com que profissionais de todas as especialidades sentissem necessidade de divulgar o próprio trabalho. Entre os mais jovens, a busca por novos pacientes e a familiaridade com as redes reforçam essa pressão, mas não eliminam a escolha de permanecer fora delas.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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