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TDAH pode envolver motivação e impulsividade, não apenas atenção

Estudos citados por psiquiatras indicam que o transtorno pode estar mais ligado ao engajamento, à recompensa e à autorregulação.

TDAH pode envolver motivação e impulsividade, não apenas atenção
Foto: Sophi Miyoko Gullbrants/The New York Times

O transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) pode não ser explicado principalmente por uma falha na capacidade de atenção. Pesquisas citadas pelo psiquiatra Awais Aftab apontam para dificuldades relacionadas ao engajamento sustentado, à motivação, ao controle de impulsos e à regulação das emoções.

A distinção é importante porque, na neurociência, atenção tem um significado específico: a seleção e a amplificação de informações relevantes, como ignorar distrações ou localizar um alvo. Já os problemas frequentemente associados ao TDAH incluem abandonar tarefas, perder o fio de uma conversa e esquecer instruções. Essas situações podem representar dificuldade de manter o foco em uma atividade ao longo do tempo.

Um estudo publicado no periódico Cell analisou os efeitos de medicamentos estimulantes em circuitos cerebrais de crianças. Os pesquisadores identificaram alterações em redes ligadas à relevância, à recompensa e à excitação, mas não encontraram mudanças detectáveis nas redes de atenção, independentemente de haver diagnóstico de TDAH.

A hipótese apresentada é que os estimulantes podem aumentar a saliência de atividades pouco atrativas. Com isso, tarefas como trabalhos escolares e afazeres domésticos passariam a parecer mais relevantes para o cérebro, favorecendo a permanência na atividade.

Outras hipóteses para o transtorno

A ideia de que o TDAH não é simplesmente um déficit de atenção vem sendo discutida desde a década de 1990. Em um experimento de 1992, Edmund Sonuga-Barke e colegas ofereceram a crianças hiperativas escolhas entre uma recompensa pequena e imediata e outra maior, mas tardia. A preferência pela recompensa imediata apareceu quando isso permitia encerrar o experimento mais cedo, o que foi interpretado como possível aversão à espera.

O neuropsicólogo clínico Russell Barkley propôs que o quadro também envolve inibição de comportamentos, regulação emocional, motivação e memória de trabalho. Ele usou a expressão “cegueira do tempo” para descrever uma experiência em que as consequências futuras têm pouco peso. A autorregulação emocional também pode aparecer como impulsividade e baixa tolerância à frustração.

Testes neuropsicológicos avaliam memória de trabalho, controle de impulsos e capacidade de esperar por uma recompensa. No entanto, nenhuma alteração aparece em todas as pessoas com TDAH, e nenhum déficit é exclusivo do transtorno. Por isso, esses testes não são considerados um padrão-ouro para o diagnóstico.

Aftab afirma que o nome da condição pode desviar a compreensão sobre seus efeitos. Pessoas com dificuldades para lidar com atrasos, tédio, instabilidade emocional ou para iniciar tarefas podem não associar esses problemas ao TDAH.

O psiquiatra também ressalta que o consenso da área é de que o TDAH é um problema genuíno, com tratamentos eficazes. Estudos observacionais associam o uso de medicamentos a reduções em mortes, automutilação, acidentes de trânsito, condenações criminais e uso indevido de substâncias.

A interpretação do transtorno, porém, não precisa colocar a origem do problema exclusivamente no cérebro ou no ambiente. As dificuldades podem surgir da interação entre capacidades mentais e exigências da vida cotidiana. Para Aftab, pesquisas acumuladas indicam que motivação e controle de impulsos têm papel mais importante do que uma capacidade de atenção defeituosa.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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