LONDRES — O CEO da Saudi Aramco, Amir Nasser, afirmou nesta segunda-feira (5) que os estoques mundiais de petróleo estão em níveis muito baixos. Segundo ele, a recomposição das reservas ao patamar anterior à guerra no Oriente Médio pode levar até dois anos, mesmo depois do fim do conflito, que já dura mais de sete meses.
Nasser estimou que a oferta de petróleo da região caiu quase 3 bilhões de barris durante o período. Mais de 1 bilhão de barris foram retirados de reservas para reduzir o déficit. Governos liberaram mais de 300 milhões de barris de estoques estratégicos e concordaram, na sexta-feira (2), em liberar um volume adicional.
A maior parte do petróleo usado, porém, veio dos estoques das empresas, que, segundo o executivo, representavam a última grande ferramenta disponível. Em seu primeiro discurso público desde o início da guerra, Nasser disse que restam menos de 6 bilhões de barris em estoques comerciais e que a maior parte desse volume não está disponível na prática.
“O sistema já está sob forte pressão”, afirmou o executivo durante a conferência Energy Intelligence Forum. Ele também declarou que a margem de segurança para enfrentar novos choques na oferta está muito reduzida.
Fluxos pelo estreito de Hormuz
O CEO afirmou que tecnologias como dados abertos, imagens de satélite e registros de navegação passaram a ser usadas contra instalações de infraestrutura e navios-tanque. Nas últimas semanas, o Irã atingiu embarcações que passavam pelo estreito de Hormuz, enquanto grupos aliados no Iraque e no Iêmen atacaram oleodutos, refinarias e portos da Aramco.
Apesar dos danos ao mercado mundial, um sistema de transporte de petróleo por Hormuz tem ajudado a recuperar os fluxos. Os embarques dos países do Golfo chegaram a 15,5 milhões de barris por dia no mês passado, o maior nível desde o início da guerra e mais de 80% do volume anterior ao conflito, segundo a empresa de dados de navegação Kpler.
Os embarques, contudo, ficaram mais caros, e o petróleo Brent continuou acima de US$ 100 por barril. Nasser disse que a Aramco estuda rotas adicionais para exportar petróleo bruto saudita e avalia novas instalações de armazenamento no exterior. Ele pediu aos governos mais atenção à segurança e à resiliência energéticas.



