Os preços globais do petróleo continuam acima de US$ 100, cerca de 40% acima dos níveis registrados no início do conflito entre os EUA e o Irã. A retomada do volume de petróleo bruto exportado pelo Oriente Médio não foi suficiente para normalizar o abastecimento, em um cenário de estoques reduzidos, rotas marítimas mais caras e oferta limitada de combustíveis refinados.
Na sexta-feira (2), o G7 e seus parceiros anunciaram a liberação de até 100 milhões de barris de estoques emergenciais de petróleo e diesel. A medida, porém, não reduziu os preços. Os operadores ainda consideram possível uma nova escalada da guerra, enquanto os EUA enviam um porta-aviões adicional e mais tropas ao Golfo Pérsico.
O Irã também atacou alguns navios enquanto tenta controlar o estreito de Hormuz. Antes da guerra, a passagem concentrava 20% do petróleo mundial. Os houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, declararam ainda um bloqueio à navegação saudita no mar Vermelho pelo estreito de Bab el-Mandeb.
Transporte e segurança das rotas
A circulação de alguns navios pelos pontos de estrangulamento não restabeleceu o tráfego normal. O petróleo que sai de Ormuz depende de transferências entre embarcações, trajetos alternativos e outras operações para chegar ao mercado.
O frete de petroleiros subiu a níveis recordes. O transporte de petróleo do golfo Pérsico à China passou a custar mais de US$ 1,2 milhão (R$ 6,2 milhões) por dia, elevando as despesas repassadas ao longo da cadeia.
O ataque de drones ao oleoduto Leste-Oeste, na Arábia Saudita, interrompeu no mês passado uma infraestrutura essencial para o transporte de petróleo. A dificuldade de retirar o produto de uma zona de guerra por diferentes rotas marítimas também adiciona custos.
Para Xuyi Zhao, analista sênior de petróleo da Guotai Junan Futures, o mercado considera, além do volume embarcado, a possibilidade de os barris serem entregues com segurança, regularidade e baixo custo.
Estoques e combustíveis refinados
Os estoques mundiais de petróleo estão em cerca de 4,3 bilhões de barris, uma redução de mais de 400 milhões desde março, primeiro mês completo da guerra, segundo dados da Energy Aspects.
A demanda global também se recuperou. O consumo atual está cerca de 6,5 milhões de barris diários acima do menor nível registrado durante a guerra, alcançado em maio, e soma aproximadamente 104,8 milhões de barris por dia.
A retomada do petróleo bruto não eliminou a falta de produtos acabados, como o diesel. As exportações dos dois principais polos de refino — o Oriente Médio e a Rússia — continuam limitadas. Refinarias de outras regiões operam em ritmo elevado para compensar essa redução e aceitam pagar mais para manter o fornecimento de petróleo.
Essa operação aumenta o risco de paralisações não programadas caso equipamentos sobrecarregados apresentem falhas. Haris Khurshid, diretor de investimentos da Karobaar Capital LP, de Chicago, afirmou: “Perdemos oferta, reduzimos os estoques e prejudicamos a capacidade de transformar petróleo bruto em produtos como diesel.”
Pressão inflacionária
Presidentes de bancos centrais têm alertado que combustíveis mais caros ampliam as pressões inflacionárias e podem levar, em última instância, a juros mais altos. Com a alta dos rendimentos dos títulos, operadores dizem que o petróleo voltou a ser procurado como proteção contra a inflação, especialmente nas últimas semanas.
Esse movimento não corresponde a um aumento físico da demanda por petróleo, mas pode elevar os preços da mesma forma.



