O Ibovespa superou pela primeira vez a marca de 200 mil pontos nos primeiros minutos do pregão desta segunda-feira (5), após o resultado do primeiro turno das eleições indicar Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Lula (PT). Às 10h17 (de Brasília), o índice subia 5,55%, aos 208.778 pontos.
A pontuação também ultrapassou o recorde intradiário anterior, de 199.354 pontos, registrado em 14 de abril de 2026. Na sexta-feira (2), último pregão antes da votação, a Bolsa havia encerrado o dia aos 192.114 pontos, com alta de 2,62%.
Analistas associam o movimento à surpresa com o resultado eleitoral e à formação de um Congresso Nacional majoritariamente à direita. Vitor Miziara, sócio da Performa Ideias, disse que o mercado costuma antecipar cenários, mas reage de forma mais intensa quando os resultados ficam muito distantes das expectativas.
Rafael Passos, sócio da Ajax Asset, avalia que a composição da Câmara e do Senado abre duas possibilidades para o próximo ano: um eventual governo Flávio Bolsonaro com apoio parlamentar para aprovar sua agenda econômica ou um novo governo Lula com maior necessidade de articulação com o Legislativo. Para ele, o centro político continua relevante em votações que exigem maiorias qualificadas.
Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, afirmou que o mercado já considerava a possibilidade de uma vitória de Bolsonaro, mas não esperava uma vantagem tão ampla no primeiro turno. Entre as ações em destaque, citou estatais como Banco do Brasil e Petrobras.
Marcelo Boragini, especialista em renda variável da Davos Investimentos, afirmou que os investidores devem acompanhar as alianças para o segundo turno, os possíveis nomes de uma equipe econômica e as propostas dos candidatos para a dívida pública e o equilíbrio fiscal.
O BTG Pactual projeta que as ações brasileiras podem ser reavaliadas caso Flávio Bolsonaro vença o segundo turno. O banco informa que os papéis, excluindo Petrobras e Vale, são negociados a dez vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, cerca de um desvio-padrão abaixo da média histórica.
Nesse cenário, uma vitória de Flávio poderia levar os preços para níveis mais próximos da média dos últimos dez anos, com potencial de alta de 11% a 20% em reais. Se o Ibovespa alcançasse um desvio-padrão acima da média histórica, a valorização poderia ficar entre 32% e 45%.



