O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, pediu nesta segunda-feira (12) apoio do Parlamento para reaproximar o Reino Unido da União Europeia. A proposta será discutida em uma cúpula entre os dois blocos, marcada para 20 de novembro, e prevê uma relação mais estreita no longo prazo.
Burnham afirmou que um novo acordo poderia contribuir para o crescimento econômico. Entre as medidas mencionadas estão o alinhamento de padrões alimentares, a integração dos sistemas de comércio de emissões de carbono e a ampliação das possibilidades para que jovens vivam, trabalhem e estudem no exterior.
“É do interesse da Grã-Bretanha garantir um acordo nesses moldes”, disse o premiê. Ele também defendeu que o debate inclua controle da imigração, segurança e a proteção dos valores britânicos. Para Burnham, manter a relação atual com a União Europeia não é suficiente.
O primeiro-ministro declarou que qualquer decisão caberia ao público britânico e pediu apoio de todos os partidos. No mês passado, ele havia dito que poderia fazer campanha pelo retorno do país à União Europeia nas próximas eleições gerais. Burnham também afirma que o Reino Unido não se beneficiou do brexit e que deveria reavaliar de forma “calma e objetiva” suas relações com os Estados Unidos.
Debate sobre o referendo
O referendo realizado em junho de 2016 terminou com 52% dos votos pela saída do bloco e 48% pela permanência. A consulta provocou uma crise política prolongada no Reino Unido e mudou a relação do país com os vizinhos europeus. Na época, Burnham fez campanha pela permanência.
Em entrevista ao podcast “The Rest Is Politics”, divulgada no domingo (11), o premiê afirmou que Moscou interferiu no referendo. Ele disse ter recebido uma resposta afirmativa ao questionar, depois de chegar à residência oficial do governo, em Downing Street, se houve interferência russa.
Burnham não apresentou detalhes sobre como a Rússia teria atuado nem indicou as evidências que sustentariam a afirmação. A embaixada russa em Londres não respondeu ao pedido de posicionamento. Moscou já negou interferência e classifica as críticas britânicas como parte de uma campanha de “histeria antirrussa”.
A posição de Burnham contrasta com a de Boris Johnson, que afirmou em 2020 não haver evidências de interferência russa. Um relatório do Comitê de Inteligência e Segurança do Parlamento britânico, divulgado em 2020, concluiu que o governo não havia investigado adequadamente essa possibilidade. O documento também apontou tentativa de influência russa na consulta de 2014 sobre a independência da Escócia.



