APARECIDA — Devotos que estiveram no Santuário Nacional de Aparecida nesta segunda-feira (12) criticaram a presença de Nossa Senhora Aparecida na disputa eleitoral. Durante a festa da padroeira, fiéis disseram que a religião não deve ser usada para conquistar votos e defenderam que os candidatos apresentem propostas para o país.
As manifestações ocorreram no mesmo dia em que o arcebispo de Aparecida, dom Mário Antônio da Silva, condenou o ódio contra pessoas que pensam de forma diferente durante a missa solene. Na celebração, ele afirmou: "O Evangelho, queridos irmãos e irmãs, não nos autoriza a odiar quem pensa diferente, nem a matar os inimigos."
A visita ao santuário, para os devotos ouvidos, está relacionada a promessas, agradecimentos e encontros familiares. O segurança José Navais, 55, morador de São José dos Campos, contou que frequenta Aparecida há 35 anos e foi ao local com a família, incluindo os netos. Ele disse sentir tristeza quando líderes religiosos apoiam candidatos e defendeu que os políticos apresentem projetos de governo.
Navais também afirmou que a escolha política deve ser separada da experiência religiosa de cada pessoa. Para ele, a religião precisa manter neutralidade, enquanto a visita ao santuário tem caráter sagrado.
A secretária Ingra Aparecida, 32, viajou de Minas Gerais com os filhos, a mãe e o padrasto. Ela participa de romarias há 30 anos e, pelo sexto ano, cumpriu uma promessa na Passarela da Fé. Considerou desrespeitosa a associação entre Nossa Senhora e a disputa eleitoral e pediu respeito à fé católica.
Bruno Ramos, 37, de São José dos Campos, começou a visitar Aparecida ainda na infância, com os pais. Ele avaliou que políticos podem se aproximar da religião em busca de vantagem eleitoral, desviando a atenção da fé e confundindo os devotos. Sem declarar seu voto, disse que o problema não depende do candidato apoiado e resumiu sua preocupação: "Acho que perde um pouco da essência."
A aposentada Valdelice Gracelê Marcheto, 67, que visita o santuário todos os anos, às vezes duas ou três vezes, chamou a disputa de um jogo político. Ela mencionou a presença de políticos na celebração e citou as visitas do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que acompanhou a missa solene nesta segunda-feira ao lado de Lu Alckmin.
Ailton Edson Lourenço, 55, de Itapecerica da Serra, criticou as acusações entre adversários e disse não concordar com o envolvimento de Nossa Senhora nesse ambiente.
Após a missa, dom Mário afirmou que o cenário político brasileiro é marcado por disputas, acusações e indignação que prejudicam o diálogo. Ele pediu que os brasileiros ouçam opiniões diferentes sem tratar os divergentes como inimigos ou traidores. Também disse que religião e política podem dialogar pelo bem comum, com respeito, harmonia e entendimento.
O arcebispo negou que o santuário tenha proibido ou restringido a presença de candidatos. Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) não participaram da missa, que começou às 9h. Também estiveram no santuário Alexandre Padilha (PT), Tabata Amaral (PSB), João Campos (PSB) e Gilberto Kassab (PSD).



