O FMI (Fundo Monetário Internacional) afirmou nesta terça-feira (6) que choques acentuados nos preços de alimentos e energia podem se tornar mais frequentes. Segundo o órgão, crises desse tipo mantêm as expectativas de inflação elevadas, pressionam a pobreza e ameaçam a estabilidade econômica.
Uma pesquisa do fundo analisou três décadas de medidas adotadas por governos para conter aumentos bruscos de preços. O estudo também desenvolveu um modelo que considera a inflação enfrentada pelas famílias mais pobres, que destinam uma parcela maior da renda à compra de bens essenciais.
Esse modelo apontou uma diferença de 0,8 ponto percentual em relação ao cálculo padrão da inflação. Com a nova medida, o FMI estimou que, entre 2021 e 2024, 23 milhões de pessoas a mais ficaram abaixo da linha de extrema pobreza do que se calculava anteriormente.
As altas de preços de itens básicos foram historicamente pouco frequentes, sobretudo em escala global. Nos últimos cinco anos, porém, tornaram-se uma fonte recorrente de tensão econômica e social, após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 e a guerra deste ano no Oriente Médio.
“Em resumo, as crises do custo de vida ... afetam a estabilidade de preços, reduzem os padrões de vida e agravam a desigualdade”, afirmou Chiara Maggi, economista do FMI que co-liderou o estudo, publicado como Capítulo 2 do próximo relatório Perspectiva Econômica Mundial.
Efeito sobre as expectativas de inflação
Os dados analisados pelo FMI indicaram que as expectativas de inflação de curto e médio prazo subiram de forma significativa durante as crises e continuaram acima do nível anterior mesmo três anos depois do início de cada uma delas.
Para os cinco anos seguintes, as expectativas tiveram alta mais moderada no começo, mas permaneceram elevadas três anos após a crise. Esse comportamento pode levar a aumentos nas taxas de juros.
O FMI recomendou transferências direcionadas como a melhor forma de proteger as pessoas mais vulneráveis sem prejudicar os sinais de preço. Controles de preços e reduções de impostos sobre o consumo poderiam custar de três a seis vezes mais aos governos. Subsídios aos produtores, por sua vez, poderiam custar 22 vezes mais.
O órgão também afirmou que medidas amplas podem perder eficácia quando vários países adotam subsídios simultaneamente. Para Chiara Maggi, os subsídios aos produtores, frequentemente escolhidos por países em desenvolvimento, são especialmente ineficientes porque podem reduzir o custo de produtos depois exportados. Nesse caso, contribuintes nacionais acabam subsidiando consumidores no exterior.
O FMI informou no mês passado que a economia global resistiu melhor do que o esperado ao choque de energia provocado pela guerra no Oriente Médio. A previsão é de crescimento da produção econômica global de cerca de 3% em 2026, ainda com riscos elevados. A projeção de julho era de crescimento de 3,0%, abaixo da média de 3,5% registrada em 2024 e 2025.



