A França enfrenta uma combinação de pressão financeira e protestos contra medidas de contenção de gastos. A dívida pública alcança € 3,5 trilhões, o equivalente a 119% do Produto Interno Bruto (PIB), e o país passou a pagar mais para captar recursos do que Grécia e Itália.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) projeta que a dívida pode chegar a 200% do PIB em 2050 se não houver mudanças estruturais nas despesas públicas. O país não registra orçamento equilibrado desde 1974.
Para tentar reduzir um déficit estimado em 5,4% do PIB neste ano, com possibilidade de chegar a 6,8% até 2030, o governo apresentou um pacote de € 43 bilhões. As medidas incluem congelamento parcial dos salários do funcionalismo, reajustes limitados para aposentadorias e cortes em auxílios sociais.
Mercado de dívida sob pressão
Os títulos públicos franceses de 10 anos passaram a exigir rendimento próximo de 5% ao ano, o maior nível desde 2002. Em um mês, a diferença em relação aos títulos alemães aumentou quase 60%, para cerca de 1,4 ponto percentual.
Estudos encomendados pelo Ministério das Finanças indicam que o custo do serviço da dívida subirá 59% até 2030. A despesa deve exigir cerca de US$ 100 bilhões anuais já em 2027 e superou os investimentos estatais em Defesa e Educação.
Até 2030, a França precisará refinanciar mais de US$ 1 trilhão em dívidas com vencimento previsto. Também deverá emitir US$ 380 bilhões em novos títulos no próximo ano.
O Banco Central Europeu (BCE) e o Banco da França encerraram as compras líquidas de títulos. Fundos especulativos e hedge funds passaram a ocupar esse espaço. Uma eventual intervenção emergencial do BCE dependeria de um cenário de persistência do estrangulamento da dívida, enquanto a Alemanha e países do norte da Europa resistem a resgates sem reformas drásticas.
Protestos e alerta das autoridades
Estudantes ergueram barricadas em centenas de colégios, enquanto pescadores paralisaram portos e terminais petrolíferos. Confrontos com forças policiais resultaram em mais de 5.000 prisões. Em Paris, manifestantes levaram cartazes com a frase: “Escolas sem dinheiro, país sem futuro”.
Emmanuel Moulin, governador do Banco da França, afirmou: “Se não agirmos, há de fato o risco de sermos gradualmente estrangulados pelo aumento das taxas de juros”. Pierre Moscovici, ex-ministro das Finanças, disse que a França é grande demais para quebrar, mas pode ser punida pelos mercados.



