O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve passar a defender de forma mais explícita o equilíbrio das contas públicas. A estratégia busca sinalizar a empresários e agentes do mercado financeiro que um eventual novo governo poderá criar condições para a redução dos juros, sem abandonar as políticas sociais.
A orientação dada por auxiliares é evitar uma defesa de cortes generalizados, especialmente em programas sociais. Lula deverá conciliar a sustentabilidade das contas com a manutenção dessas políticas. A mudança ocorre depois de críticas de economistas e representantes do setor produtivo ao aumento das despesas e ao uso de fundos para ampliar empréstimos e subsídios, medidas associadas ao crescimento da dívida pública e à manutenção dos juros em patamar elevado.
Mudança de discurso
O presidente foi criticado após afirmar, em um evento em Curitiba (PR), em 12 de setembro, que “é preciso parar com essa babaquice de fazer superávit, fazer superávit, de ter controle fiscal”. A declaração ampliou a desconfiança de empresários e integrantes do mercado financeiro sobre o compromisso do governo com o ajuste das contas.
Lula já havia defendido a estabilidade fiscal em um jantar com empresários, em 25 de setembro. Na ocasião, afirmou que “estabilidade fiscal é uma coisa obrigatória”. Auxiliares, porém, avaliam que o presidente precisa falar diretamente sobre superávits — quando as receitas superam as despesas — e sobre a redução da dívida pública.
Nesta quinta-feira (8), Lula disse ter recebido o Orçamento com um “déficit de 2,8% do PIB” e propôs um superávit de 0,1% do PIB no ano que vem. Também mencionou que a redução da dívida depende do crescimento da economia. A campanha, no entanto, ainda não detalhou quais medidas de ajuste seriam adotadas em caso de reeleição.
Críticas a Flávio Bolsonaro
Ao mesmo tempo, a campanha de Lula pretende explorar o que considera inconsistências nas propostas fiscais do senador Flávio Bolsonaro. A ministra Esther Dweck criticou nas redes sociais a promessa de um “tesouraço” em impostos e despesas, questionando quais áreas seriam afetadas e quais seriam os efeitos sobre os serviços públicos.
Lula também atacou a possibilidade de um ajuste de até R$ 250 bilhões, que poderia envolver mudanças na correção de benefícios da Previdência e nos pisos da saúde e da educação. Em vídeo, afirmou que os cortes poderiam atingir programas como Pé-de-Meia, Farmácia Popular, Minha Casa Minha Vida, Merenda Escolar e Gás do Povo, além de afetar reajustes do salário mínimo.
O presidente disse ainda que propostas de corte e ajuste fiscal costumam retirar recursos dos mais pobres, sem atingir os ricos. A campanha pretende enfatizar a economia até a votação, em 25 de outubro, ao lado de segurança pública e corrupção.



