O endividamento dos governos no mundo deve superar o equivalente a toda a produção econômica global antes de 2030, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). A dívida pública mundial já corresponde a cerca de 95% do Produto Interno Bruto (PIB) global, o valor de tudo o que é produzido em um ano.
O alerta foi feito nesta quarta-feira (7) por Kristalina Georgieva, diretora-gerente do FMI. Ela apontou os preços elevados da energia e a inflação persistente como ameaças ao crescimento da economia mundial.
As novas projeções do fundo serão divulgadas durante as Reuniões Anuais do FMI e do Banco Mundial, na próxima semana. A expectativa é que o organismo reduza as estimativas de crescimento para economias diretamente afetadas pela guerra, entre elas a Ucrânia e países do Golfo.
A previsão mais recente, divulgada em julho, indicava expansão de 3% para a economia mundial em 2026 e de 3,4% em 2027.
Energia e inflação
De acordo com Georgieva, o petróleo permanece próximo de US$ 100 por barril. A redução da capacidade de refino aumentou as margens cobradas sobre derivados, como o diesel.
A pressão pode crescer com a chegada do inverno no Hemisfério Norte, quando a procura por energia aumenta. O fornecimento de gás natural também segue limitado pelos riscos ao transporte de gás natural liquefeito (GNL) pelo Estreito de Ormuz.
A diretora-gerente afirmou que a guerra no Oriente Médio provocou um choque negativo na oferta de energia, enquanto a atividade econômica continua pressionada por uma demanda forte. Os contratos futuros de petróleo Brent, segundo ela, indicam preços elevados até 2027.
“Mesmo que a guerra no Golfo termine em breve, o problema dos altos preços da energia provavelmente persistirá por algum tempo”, afirmou Georgieva.
A alta dos custos de energia afeta combustíveis usados no transporte de pessoas e mercadorias. Com fretes mais caros, também pode aumentar o custo de levar alimentos e outros produtos aos consumidores. O resultado é uma pressão adicional sobre a inflação, os juros e os rendimentos dos títulos públicos.
Dívida e política monetária
O FMI considera que a dívida pública global está no maior nível desde a Segunda Guerra Mundial. As economias avançadas, lideradas pelos Estados Unidos, estão entre as que têm os maiores níveis de endividamento em relação ao tamanho de suas economias.
Para Georgieva, países com dívidas elevadas precisam adotar planos de médio prazo para reduzir seus déficits e, quando necessário, combinar essas medidas com ações fiscais imediatas. Na avaliação dela, os governos não podem depender apenas de um crescimento econômico maior para melhorar suas contas.
A diretora-gerente também afirmou que as pressões inflacionárias continuam após cinco anos e meio de inflação acima das metas dos bancos centrais. Entre os fatores citados estão os preços de energia e alimentos, as tarifas comerciais, o aumento dos gastos com defesa e o custo maior do serviço da dívida.
Nesse cenário, pode ser necessário manter uma política monetária “prudentemente restritiva” em muitos países. Georgieva defendeu ainda a independência dos bancos centrais e disse que as autoridades monetárias não devem intervir para facilitar o financiamento dos governos. “Minha mensagem é: por favor, não façam isso”, afirmou.



