Um grupo de cerca de 50 empresários, economistas, juristas e representantes da sociedade civil prepara uma carta pública de apoio a Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento também deverá defender propostas de reforma e fortalecimento institucional do Judiciário.
A primeira reunião ocorreu por videoconferência reservada no final da tarde desta quarta-feira (9). A iniciativa para elaborar a carta foi apresentada pelo ex-ministro da Justiça Miguel Reale Jr., e o texto ainda será submetido à aprovação dos participantes.
O encontro ocorreu no mesmo período em que Fachin retirou de Alexandre de Moraes a relatoria do inquérito das fake news, conduzido pelo ministro havia mais de sete anos. O presidente do STF também suspendeu decisões divergentes de André Mendonça e Flávio Dino sobre o comando da Polícia Federal e manteve Andrei Rodrigues como diretor-geral.
Entre os participantes estão Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central; Oscar Vilhena, diretor da Escola de Direito da FGV-SP; Maria Tereza Sadek; Patrícia Vanzolini; Pedro Passos, da Natura; Amanda Klabin Tkacz; André Lara Resende, ex-presidente do BNDES; Horácio Lafer Piva, ex-Fiesp; José Pio Borges; Neca Setúbal; Pedro Malan, ex-ministro da Fazenda; e Jackson Schneider, ex-CEO da Embraer Defesa & Segurança.
A articulação do grupo remonta a 2022, quando seus integrantes se mobilizaram em defesa da democracia e do STF diante de ataques de fundo golpista. Na ocasião, uma carta assinada por milhares de pessoas e entidades empresariais e trabalhistas foi lida na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.
Com a crise atual, Josué Gomes, ex-presidente da Federação das Indústrias de São Paulo, procurou Vilhena e outros integrantes para retomar as discussões sobre os ataques ao Supremo. O grupo reúne pessoas de diferentes posições políticas, incluindo Miguel Reale Jr. e José Eduardo Cardozo, que estiveram em lados opostos no processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
Juristas também discutem há algum tempo uma revisão das competências do STF. O tema foi tratado em uma proposta do Instituto FHC, em junho de 2025, e pela OAB-SP.
“Se lá atrás nós defendemos o STF de ataques externos, agora a ideia é tentar defender o STF de ataques internos”, disse Vilhena. Para Arminio Fraga, houve “total apoio às propostas de reforma do STF e ao presidente Fachin”.



