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Seca ligada ao El Niño ameaça colheitas e alimentos na América Central

Famílias do Corredor Seco enfrentam perdas agrícolas, falta de água e aumento projetado da insegurança alimentar.

Seca ligada ao El Niño ameaça colheitas e alimentos na América Central

A seca associada ao El Niño compromete colheitas, criação de animais e acesso à água no Corredor Seco da América Central, região que atravessa partes de Guatemala, Honduras, El Salvador, Nicarágua e Costa Rica. Mais de 10 milhões de pessoas vivem na área, onde mais de 70% da população rural está na pobreza, segundo a ONU.

O fenômeno climático elevou as temperaturas superficiais de uma extensa área do Pacífico e alterou os padrões de ventos e chuvas. Uma medida usada para acompanhar o aquecimento do oceano indica que o El Niño atual é o mais forte desde 1900, de acordo com o Serviço Meteorológico do Reino Unido.

Em Honduras, agricultores dependem principalmente do cultivo de milho e feijão para a subsistência. A produção costuma ocorrer em dois períodos: o primeiro, entre maio e agosto, e o segundo, entre agosto e dezembro. No Departamento de Choluteca, Juan Estanislao Muñoz afirma que perdeu a primeira colheita e teme não conseguir plantar novamente sem chuva.

A falta de pasto também afeta o gado. Muñoz relata que sua vaca passou a comer terra e folhas. Em Choluteca, o rio que abastecia famílias deixou de correr e se transformou em um leito de terra e pedras, segundo Lena Savelli, diretora regional do Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA) para a América Latina.

Aumento da insegurança alimentar

O PMA estima que, somente em Honduras, o número de pessoas em insegurança alimentar pode passar de 1,4 para 1,9 milhão por causa da seca ligada ao El Niño. Na América Central, 4,2 milhões de pessoas poderão entrar nessa situação. Na América Latina e no Caribe, pelo menos 16 milhões a mais poderão enfrentar oferta insuficiente de alimentos.

Em escala global, a projeção é de aumento de 225 milhões para 274 milhões de pessoas em insegurança alimentar aguda, uma diferença de 49 milhões.

Desde março deste ano, o PMA distribuiu ajuda antecipada para mais de 400 mil pessoas no Corredor Seco. A assistência inclui pagamentos em dinheiro equivalentes a US$ 150 por mês, cerca de R$ 785, e sacos de alimentos. A organização também fornece dinheiro a mais de 470 mil pessoas afetadas na América Central.

Perdas em comunidades rurais

Em San Lorenzo, no Departamento de Valle, Lidia Ochoa relata alternância entre dias com e sem comida. Darwin Cruz vendeu duas vacas leiteiras e perdeu outra. Restaram três animais, que produzem 25% do leite habitual. Em El Matazano, no leste de El Salvador, uma cisterna deixou de sustentar a criação de cerca de 1 mil tilápias, usadas para consumo e venda.

Na Guatemala, Elvira Pasá, líder indígena de uma aldeia em Cunén, afirma que todas as plantações de milho serão perdidas. Um levantamento de organizações como Oxfam e Ação contra a Fome em 58 municípios da Guatemala, Honduras e El Salvador registrou perdas entre famílias que plantaram milho no primeiro ciclo de 2026. De cerca de 73 mil lares, mais de 70 mil relataram prejuízos; entre eles, 78,6% perderam entre 75 e 100% da colheita.

O relatório também registrou o retorno de pessoas migrantes deportadas ou sem dinheiro, aumentando a pressão sobre recursos já escassos. Em comunidades de Honduras, foram relatadas falta de medicamentos, interrupção da merenda escolar há dois anos, redução de remessas e dívidas referentes a adubos.

Os governos centro-americanos ativaram programas emergenciais, com distribuição de alimentos e linhas de crédito. Em colaboração com a FAO, El Salvador distribuiu kits agrícolas com sementes de milho mais resistentes à seca.

O PMA projeta que os efeitos do El Niño serão mais intensos em novembro e dezembro e continuarão por boa parte de 2027. A organização defende investimentos em sistemas de alerta precoce, gestão de recursos hídricos e proteção social.

Em Choluteca, moradores precisam caminhar por 20 minutos até um poço que ainda tem água, enquanto o mais próximo já secou. “Se este poço acabar, estamos fritos”, afirma Muñoz.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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