Analistas do mercado financeiro projetam um pregão mais favorável a ativos de risco nesta segunda-feira (5), após a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a confirmação de ambos no segundo turno, conforme projeção do Datafolha. O resultado não era esperado nas cotações e pode prolongar a alta da Bolsa, além de pressionar para baixo o dólar e os juros futuros.
Às 20h15, o contrato ativo de real futuro com vencimento em novembro de 2026 avançava 4,33%. Fernando Siqueira, diretor da casa de análise Eleven, afirmou que a força da votação da oposição tende a produzir uma reação positiva e avaliou que as chances de vitória de Flávio são muito altas.
A expectativa de parte dos analistas é que um eventual governo Flávio tenha mais probabilidade de promover um ajuste nas contas públicas do que um novo governo Lula. Essa perspectiva ajudaria a reduzir os juros e beneficiaria investimentos em renda variável. Entre os nomes associados à equipe econômica do candidato do PL estão Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, e Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia na gestão de Jair Bolsonaro.
Congresso e cenário eleitoral
Economistas do UBS BB não projetam transferência de votos para Lula no segundo turno semelhante à ocorrida em 2022, quando o petista recebeu apoio de Simone Tebet (PSB) e Ciro Gomes (PSDB). Em relatório divulgado na última sexta (2), Alexandre de Azara, Rodrigo Martins e Fabio Ramos disseram ser difícil visualizar uma vitória de Lula sem um grande acontecimento político, considerando a posição de centro-direita da maioria dos candidatos restantes.
A composição mais à direita do Senado também foi avaliada positivamente por analistas. Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil, afirmou que o Congresso influencia a percepção sobre governabilidade e sobre a aprovação da agenda econômica a partir de 2027.
Na última semana, o Ibovespa acumulou alta de 4,71%, enquanto o dólar subiu 0,62% e os juros de curto prazo recuaram. Na sexta (2), último pregão antes do 1º turno, a Bolsa avançou 2,62% e fechou aos 192.114 pontos, maior nível desde 22 de abril, quando havia encerrado o dia aos 192.889 pontos. O dólar caiu 0,13%, para R$ 5,216.
Juros menores reduzem a atratividade da renda fixa e podem aumentar o fluxo para ativos mais arriscados. Também tornam o crédito mais barato, estimulam consumo e investimentos e diminuem o peso da dívida sobre as empresas.
Risco e influência externa
O VIX Brasil fechou a sexta (2) em 32,77 pontos, no segundo recorde consecutivo. O índice, criado em 2024, havia marcado 32,39 pontos na quinta (1). Calculado com base em opções sobre o Ibovespa B3, ele estima a volatilidade esperada para os próximos 30 dias e é usado como indicador de percepção de risco.
Em maio deste ano, o vazamento de áudios entre Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro havia provocado reação negativa no mercado. No pregão seguinte, o dólar subiu 1,6% e a Bolsa caiu 0,6%. Naquele mês, investidores estrangeiros retiraram R$ 13,3 bilhões do mercado acionário brasileiro.
O movimento positivo da sexta (2) também foi influenciado por dados de emprego dos Estados Unidos. Foram criados 29 mil postos em setembro, abaixo dos 90 mil projetados, e a taxa de desemprego ficou em 4,2%, ante previsão de 4,1%. O número de agosto foi revisado de 162 mil para 133 mil vagas. Os dados reduziram a pressão sobre o Fed e fizeram investidores considerar menos provável uma nova alta dos juros.


