São Paulo, Segunda-feira, 12 de outubro de 2026
Dólar R$ 4,99 · Euro R$ 5,58 · Ibovespa 209.067 -0,00%
A economia explicada todos os dias
Economia

Próximo governo terá dívida alta, juros elevados e economia em desaceleração

Desafio fiscal inclui conter a dívida, revisar gastos obrigatórios e lidar com o endividamento de famílias e empresas.

Próximo governo terá dívida alta, juros elevados e economia em desaceleração
Foto: Pablo Porciuncula/AFP

O presidente eleito para assumir em 2027 encontrará as contas públicas pressionadas, juros elevados, atividade econômica em desaceleração e níveis recordes de endividamento entre empresas e consumidores. A disputa no segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva ocorrerá nesse cenário.

A política fiscal é apontada por economistas como o principal desafio. A dívida bruta do Brasil está próxima de 83% do PIB, no maior nível em cinco anos. A contenção desse indicador é considerada necessária para permitir a continuidade da queda da Selic, atualmente em 13,75% ao ano.

Pressão sobre as contas públicas

Projeções do PLOA de 2027 indicam que o governo Lula avalia ser necessário revisar ao menos R$ 53,7 bilhões em gastos obrigatórios até 2030. O objetivo é preservar as demais políticas públicas existentes no mesmo patamar atual.

A equipe de Flávio Bolsonaro defendeu durante a campanha cortes equivalentes a 1,5% do PIB e a criação de um novo teto de gastos baseado na relação entre dívida e PIB, mas não detalhou como alcançaria esse resultado. Também foram consideradas mudanças na vinculação de despesas de saúde e educação. A proposta discutida previa retirar a saúde do mínimo constitucional de 15% da receita corrente líquida e fazer o mesmo com a educação em relação aos atuais 18% da receita líquida de impostos.

A equipe ainda estudou desvincular a política de valorização do salário mínimo dos benefícios da Previdência. Nesse caso, aposentados e pensionistas teriam reajustes apenas pela inflação, sem ganho real. Depois da repercussão negativa, Flávio Bolsonaro negou que a mudança estivesse em avaliação.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, indicou a representantes da Faria Lima que poderiam ser adotados controles fiscais mais rígidos e gatilhos do arcabouço fiscal para conter o crescimento das despesas obrigatórias. Lula, por sua vez, afirmou em comício que era preciso “parar com essa babaquice de fazer superávit”, mas disse a empresários que controlar as contas públicas é obrigação de qualquer governo.

Para Sergio Vale, economista da MB Associados, o próximo presidente terá de negociar com o Congresso e alterar gastos obrigatórios e tributários. Ele também avalia que Lula precisará mudar a condução da política econômica e que a força política do vencedor será relevante em um país dividido.

Solange Srour, diretora de macroeconomia para o Brasil no UBS Global Wealth Management, afirmou que a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro passou a ser associada a uma probabilidade maior de contenção fiscal. Ela também prevê reação do mercado à diferença entre o resultado da votação e as pesquisas anteriores. A economista disse que o mercado não espera um pacote de ajuste tão amplo quanto os adotados por Javier Milei na Argentina.

Economia e endividamento

As projeções do Boletim Focus para o PIB indicam crescimento de 1,86% em 2026 e de 1,41% no ano seguinte. O consumo, que avançou em média 3,3% nos últimos cinco anos, deve desacelerar para cerca de 1% neste ano e no próximo.

O consumo das famílias recuou 0,4% no segundo trimestre, na comparação com os três primeiros meses do ano. Economistas relacionam a perda de ritmo aos juros altos e ao endividamento da população.

Segundo a Serasa, 83,9 milhões de pessoas estão inadimplentes no Brasil. A inadimplência das famílias no crédito livre chegou a 8% em agosto, novo recorde segundo o Banco Central. Economistas do BTG Pactual e do FGV Ibre avaliam que esse endividamento pode reduzir o consumo no ano seguinte, especialmente porque parte da população assumiu dívidas em linhas de crédito caras.

O governo Lula defende aperfeiçoar as regras de oferta e de responsabilidade na concessão de crédito. O programa de Flávio Bolsonaro prevê o “Ganha, Ganha”, mecanismo em que o pagamento de contas em dia e a conclusão de cursos gerariam pontuação positiva para facilitar o acesso a juros menores.

Empresas e mercado de trabalho

As empresas também enfrentam crédito restrito e juros altos. O número de companhias em recuperação judicial aumentou 65,8%, passando de 3.823 para 6.341 entre o segundo trimestre de 2023 e o segundo trimestre deste ano, segundo a consultoria RGF. Agronegócio, transporte e logística e varejo puxaram o avanço.

O mercado de trabalho ainda registra desemprego em mínimas históricas e recordes de ocupação, empregos com carteira assinada e rendimento salarial. A expectativa é de aumento da desocupação no próximo ano, embora a taxa permaneça em nível historicamente baixo.

Entre os desafios listados estão a informalidade próxima de 40% da mão de obra, a expansão do trabalho por aplicativos, a pejotização, os efeitos da inteligência artificial sobre vagas de entrada, a pressão sobre a Previdência associada à maior longevidade e a diferença entre a formação profissional e as necessidades do mercado.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.