BRASÍLIA — O ex-banqueiro Daniel Vorcaro negou ter explorado ou desrespeitado mulheres e afirmou que pretende colaborar com as investigações. Em nota divulgada nesta terça-feira (13), ele também disse não reconhecer mensagens que o associam ao gerenciamento de uma rede internacional de prostituição.
“Isso não é da minha índole”, afirmou Vorcaro, que foi dono do Banco Master. Ele classificou o vazamento de conversas privadas como uma manipulação criminosa de conteúdos fora de contexto e disse que a divulgação ameaça a segurança de sua família.
Investigação da Polícia Federal
A Polícia Federal conduz uma investigação preliminar sobre suspeitas de crimes relacionados à exploração sexual atribuídas a Vorcaro. A corporação pretende pedir a abertura de um inquérito sobre o tema.
As mensagens foram encontradas no celular do ex-banqueiro. Segundo os elementos reunidos nas investigações, ele teria estruturado e financiado, como sócio oculto, uma rede de prostituição internacional a partir de 2023. Os valores destinados ao negócio chegariam a pelo menos R$ 4,3 milhões.
A rede teria intermediários, recrutamento de mulheres estrangeiras e uma casa noturna em São Paulo. As conversas citam mulheres russas, ucranianas, venezuelanas, argentinas e polonesas. Vorcaro também teria participado da seleção, da contratação e de decisões operacionais.
Em uma mensagem enviada à então noiva, Martha Graeff, em 18 de agosto de 2025, Vorcaro escreveu: “Fazia parte do meu 'business'. Nunca te escondi o que fiz, e por que fiz. Fiz festa com 300 desse tipo”.
Pedidos e documentos
Em maio, a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) apresentou ao Ministério Público Federal um pedido de investigação sobre orgias, possíveis práticas de exploração sexual e tráfico internacional de mulheres relacionados ao caso.
Documentos levantados pela Polícia Federal incluem orçamentos de passagens para participantes de festas. Um evento de Halloween realizado em 2023 envolveu a logística para trazer ao Brasil modelos e DJs, com transfers em Verona, na Itália, Barcelona, na Espanha, e Santa Bárbara, nos Estados Unidos.
Vorcaro afirmou que quer prestar esclarecimentos sobre os assuntos investigados e suas relações “pelas vias adequadas e com respeito ao devido processo legal”. Também disse que eventual responsabilização por mensagens obtidas de forma ilícita será discutida nas esferas cível e criminal.



