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Política

Abstenção no primeiro turno chega a 21,08%, maior nível desde 1998

Desânimo com a política, viagens, transferência de título e falta de acessibilidade estão entre os motivos relatados por eleitores.

Abstenção no primeiro turno chega a 21,08%, maior nível desde 1998
Foto: Fabiane de Paula/SVM

A abstenção no primeiro turno das eleições chegou a 21,08%, o equivalente a 33 milhões de brasileiros que não foram às urnas. É o maior percentual registrado em uma primeira etapa de eleição presidencial desde 1998, quando 21,49% dos eleitores deixaram de votar.

O não comparecimento foi associado por eleitores a diferentes razões, como desânimo com a política, viagens, dificuldades para transferir o título e problemas de acessibilidade nos locais de votação. O voto é obrigatório para brasileiros alfabetizados com mais de 18 anos e menos de 70, conforme a Constituição Federal.

Desânimo e rejeição aos candidatos

Para Murilo Medeiros, cientista político da Universidade de Brasília (UnB), a polarização e os altos índices de rejeição dos dois principais candidatos, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), contribuíram para um ambiente de desalento. Na avaliação dele, a percepção de que o voto não produz mudanças concretas afasta parte do eleitorado.

Aos 73 anos, Maria Luíza Teixeira afirmou que não votou por discordar dos dois candidatos à Presidência. Ela também disse que não pretende comparecer ao segundo turno e que, caso fosse votar, anularia o voto.

A servidora pública Nara Oliveira declarou que não considerou compensador gastar tempo e dinheiro com o deslocamento até a seção eleitoral. Já a estudante Maria Júlia Costa viajou para uma cidade distante durante o primeiro turno, mas pretende votar na segunda etapa e disse acreditar na política, no voto e na cidadania.

Transferência e acessibilidade

Roberto Gepp, estudante de economia, mudou-se de Brasília para São Paulo e não transferiu o título de eleitor. Por isso, não votou no primeiro turno e também não poderá participar do segundo. O prazo para mudar o local de votação terminou em 6 de maio. Até 20 de agosto, porém, eleitores fora do domicílio eleitoral poderiam solicitar a alteração temporária para votar em trânsito.

Henrique Eduardo Bahouth, de 73 anos, chegou à zona eleitoral, mas desistiu diante da quantidade de pessoas e da desorganização que relatou. Ele disse que nunca havia deixado de votar.

Bianca Dantas não conseguiu chegar à seção depois de passar por uma cirurgia no joelho duas semanas antes do primeiro turno. No local, encontrou dois lances de escada e não conseguiu votar por falta de acessibilidade. Ela também não teve tempo de pedir a transferência para uma seção adaptada.

Distribuição regional

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que o Sudeste concentrou 15 milhões de eleitores ausentes, ou 22,7% do eleitorado da região. No Centro-Oeste, foram 2,6 milhões, equivalentes a 21,7%. No Nordeste, 18,4% dos eleitores não compareceram, um contingente de 8 milhões de pessoas.

A abstenção vem crescendo desde 2018, quando o percentual ultrapassou 20%. Em 2022, o segundo turno não registrou aumento da participação suficiente para levar mais eleitores às urnas na escolha presidencial.

O primeiro turno não impede o voto na segunda etapa: para a Justiça Eleitoral, cada turno é considerado um novo pleito. Medeiros avalia que ampliar o comparecimento será um dos principais desafios das campanhas, especialmente porque 21 governos estaduais já estavam definidos e a disputa presidencial era a única eleição em grande parte do país.

Para o cientista político, levar mais pessoas às urnas não significa necessariamente ampliar os votos de Lula, pois o resultado depende do perfil político dos eleitores que não votaram. Ele também afirmou que o custo e as dificuldades de deslocamento podem superar o valor da multa aplicada pelo não comparecimento.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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