ZURIQUE — Mensagens analisadas pela Polícia Federal indicam que o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, pediu a Paulo Henrique Costa que marcasse uma reunião sobre a negociação entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. O encontro ocorreu em 23 de janeiro de 2025, em Zurique, na Suíça.
Os registros foram extraídos dos celulares de Paulo Henrique Costa, que presidia o BRB, e de Daniel Vorcaro, dono do Master até a liquidação do banco. Os dois estão presos. Além de Ibaneis, Vorcaro e Paulo Henrique, participou da reunião um interlocutor identificado no relatório apenas como “Leonardo”.
Movimentações anteriores
A PF afirma que a articulação começou a ser preparada em outubro de 2024, quando o BRB colocou ações no mercado com o objetivo de captar até R$ 1 bilhão e ampliar seu capital social. Para os investigadores, essas medidas eram “etapas preparatórias para a consolidação futura” da compra do Banco Master.
Em 20 de janeiro de 2025, Paulo Henrique informou a Vorcaro que Ibaneis havia solicitado o agendamento do encontro. Três dias depois, os quatro interlocutores se reuniram na Suíça. Em 26 de janeiro, Vorcaro perguntou a Paulo Henrique sobre o andamento do negócio e disse que o questionamento havia sido feito pelo jornalista Lauro Jardim.
Na conversa, segundo a PF, Paulo Henrique demonstrou preocupação com um possível vazamento e afirmou que não havia sido ampliado “o escopo das pessoas envolvidas no deal [na negociação]”.
Entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, o BRB comprou R$ 9,52 bilhões em carteiras de crédito emitidas pelo Banco Master.
Apontamentos sobre Ibaneis
A investigação atribui ao então governador atuação em quatro frentes: articulação com agentes privados; validação de decisões operacionais críticas; definição da estratégia de expansão do BRB; e autorização dos valores do aumento de capital.
A PF afirma que decisões estratégicas da relação entre as instituições eram submetidas à avaliação de Ibaneis antes da análise pelos órgãos formais de governança. Um dos relatórios conclui que o Banco Master passou a integrar indiretamente a estrutura acionária do BRB por meio dos fundos Borneo, Verbier e Delta, que, segundo os investigadores, foram estruturados para ocultar o beneficiário final e evitar a caracterização formal de controle ou participação qualificada.
A defesa de Ibaneis afirmou que ele não pressionou nem interferiu nas operações do BRB. Também disse que o ex-governador não era interlocutor direto em mensagens com Vorcaro e que seu nome aparece quatro vezes no relatório.
A defesa de Paulo Henrique declarou que ele era presidente do BRB, e não proprietário, e que decisões desse porte dependiam do Conselho de Administração, cujo acionista majoritário era o Governo do Distrito Federal. A defesa de Vorcaro informou que não se manifestaria.


