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Canal de Flávio compartilha vídeo falso e falas de Lula fora de contexto

Conteúdos publicados pela campanha associam uma gravação antiga a ato pró-Lula na avenida Paulista e orientam mobilização digital.

Canal de Flávio compartilha vídeo falso e falas de Lula fora de contexto

O canal de WhatsApp criado pela equipe de Flávio Bolsonaro (PL) compartilhou um vídeo antigo como se mostrasse uma jovem usando cocaína durante uma manifestação a favor de Lula na avenida Paulista. A gravação circulava em páginas argentinas antes do ato e foi apagada depois que a campanha foi questionada.

A publicação apareceu em uma sequência de conteúdos contra a manifestação realizada neste domingo (11), em São Paulo. O vídeo mostra uma jovem de cabelos vermelhos levando um cartão em direção ao nariz. A postagem dizia que havia militantes usando substâncias supostamente ilícitas no protesto.

A mesma gravação já era compartilhada em páginas argentinas desde junho, em comentários sobre a despedida do cantor de rock Indio Solari, que morreu no dia 5 de junho. O vídeo também foi associado falsamente a uma manifestação no Chile a favor da causa palestina.

Gustavo Gayer (PL-GO) publicou um áudio logo depois da gravação. Ao comentar imagens do ato, mencionou depredação, vandalismo e uso de substâncias ilícitas, além de pedir que os seguidores divulgassem o conteúdo em redes sociais e grupos de WhatsApp. Depois, afirmou que não havia dito que o vídeo era da avenida Paulista.

Flávio também compartilhou um vídeo do deputado federal eleito Rony Gabriel (Podemos-RS) com críticas à manifestação. As imagens incluíam a gravação da jovem. O conteúdo também foi divulgado nas redes sociais de Pablo Marçal (PRTB) e do empresário Filipe Sabará (PL). A campanha de Lula entrou com ação no TSE para pedir a retirada do material da internet e das redes sociais.

Disputa entre canais

O canal criado pela campanha de Flávio se chama Tropa do Flávio e foi registrado no TSE. A equipe afirmou que a ferramenta serve para comunicação e mobilização digital e que segue a legislação eleitoral e as regras das plataformas. Também disse que, ao contrário do PT, não propaga notícias falsas.

A iniciativa foi lançada em reação ao Exército do Lula, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). Flávio acusou o canal de disseminar informação falsa e coordenar ataques, o que Janones nega.

Às 17h desta segunda, o Exército do Lula reunia 3,8 milhões de seguidores no WhatsApp, enquanto a Tropa do Flávio tinha 1,4 milhão. Gustavo Gayer disse aos seguidores que a meta era superar o número de pessoas no canal de Janones, o que ainda não havia ocorrido.

Nikolas Ferreira (PL-MG), Gayer e Marçal publicaram vídeos e áudios para estimular a mobilização de eleitores. Em uma mensagem, Nikolas deu boas-vindas aos seguidores da Tropa do Flávio e afirmou que continuaria conversando com o grupo até o final do segundo turno.

Falas de Lula

Além do vídeo atribuído falsamente ao ato, o canal compartilhou compilações de declarações de Lula fora de contexto. As publicações insinuavam que o presidente atacava religiões ou defendia o crime organizado.

Uma das falas havia sido feita no último dia 28, durante um comício em Belém. Lula disse que mulheres aprendem a fazer exame de toque desde pequenas ao explicar a resistência dos homens ao exame de próstata. Depois, esclareceu que se referia à familiaridade das mulheres com exames ginecológicos. A declaração foi usada por apoiadores de Flávio como se representasse um endosso ao crime sexual.

Outro conteúdo explorou uma fala de Lula durante a cerimônia de sanção da Lei Antifacção. Ao agradecer senadores e deputados, o presidente mencionou um passo importante para que o Brasil fosse um dos países mais respeitados do mundo no crime organizado. A frase foi apresentada como evidência de que Lula teria escolhido o lado do crime, em uma imagem criada por inteligência artificial com o presidente e presidiários. A publicação teve mais de 17 mil compartilhamentos no WhatsApp.

O canal também divulgou, mais de uma vez, uma declaração verdadeira de Lula em defesa do aborto em casos de estupro, possibilidade prevista na lei brasileira. O conteúdo foi usado para mobilizar o eleitorado conservador.

Um dos vídeos com supostos ataques de Lula aos cristãos recebeu a orientação de que deveria circular pelo Brasil. A estratégia do canal é fornecer conteúdos e instruções para que os seguidores ampliem a divulgação em grupos de WhatsApp e redes sociais.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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