Conteúdos sobre política publicados em páginas e perfis de celebridades alcançam milhões de brasileiros e, em alguns casos, superam o desempenho de publicações de veículos jornalísticos. A constatação está em um levantamento da USP que comparou o alcance dos dois tipos de página.
Um dos exemplos envolve o escândalo do Banco Master. Em um dia de grande repercussão do caso, o conteúdo mais visto sobre o tema foi publicado em uma página de fofoca. A publicação teve cerca de 2 milhões de visualizações, quase quatro vezes mais que uma postagem semelhante feita por um veículo jornalístico.
Mistura entre política e entretenimento
Especialistas afirmam que a combinação pode levar mensagens políticas a pessoas menos politizadas e menos polarizadas. Com isso, o conteúdo teria potencial para alcançar públicos fora das bolhas tradicionais e influenciar eleitores indecisos.
A legislação permite que influenciadores manifestem posições políticas, mas não que recebam pagamento por isso. O problema apontado é a inserção de propaganda paga entre publicações comuns, sem identificação clara de que se trata de conteúdo patrocinado.
O caso também chegou à polícia. Aliados do ex-dono do Banco Master são acusados de contratar influenciadores e páginas de fofoca para fazer críticas ao Banco Central, pressionar jornalistas e interferir na opinião pública. As acusações envolvem o uso dessas redes em uma disputa que mistura comunicação política, entretenimento e publicidade.



